diario as beiras
opiniao

Opinião: Mudanças

17 de julho de 2025 às 09 h21
0 comentário(s)

O tempo é de verão, de muito calor,altura habitual em que alunos, professores e funcionários das escolas se preparam para gozar as retemperadoras férias de que se dá conta em conversas nos últimos dias dos anos letivos.

Antecipando estes momentos de ócio, o grupo parlamentar do Chega entendeu dar conhecimento público do nome de meninas e meninos de famílias imigrantes com origens variadas, tentando criar confronto social entre quem convive pacatamente com a comunidade escolar numa creche. Esta arrepiante falta de sentido humanista foi protagonizada por uma senhora deputada de nome Cid, onomástico oriundo do árabe Seid, portanto com antepassados que Portugal recebeu… Até que ponto André Ventura e Rita Cid Matias brincaram com a dignidade humana!?

E os poderes instituídos ficam sentados perante tão grosseira e maldosa forma de fazer política? E se agora os deputados de outros partidos tivessem a ideia de ler os nomes e as escolas frequentadas pelos filhos dos deputados do partido de Ventura gostariam? É de crer que não e que fizessem um dos seus habituais arraiais em pleno hemiciclo da Casa da Democracia portuguesa.

Entretanto tivemos novidades da parte do Ministro da Educação. Fenando Alexandre dá como certo que é impossível saber quantos alunos ficaram sem aulas a uma ou mais disciplinas no passado ano letivo e que nem a entrega a uma entidade privada do estudo sobre a matéria foi capaz de descobrir.

Promete o titular da pasta da Educação, Ciência e Inovação a revisão do estatuto da carreira docente (que tanto trabalho deu a quem o negociou no tempo do Ministro Roberto Carneiro) e que está a precisar agora, muitos anos depois da sua aprovação, de uma varridela que responda aos tempos que correm e às inovações que a profissão precisa de assumir urgentemente
Outra nota importante é a vontade do governante de revalorizar o ensino profissional, aproximando-o quanto possível das necessidades que o país sente em matéria de mercado de trabalho e emprego. Muito haverá a dizer sobre esta valência educacional, o seu passado e o seu futuro. Mas o espaço deste texto não o permite para já.

Aspeto importante na ação do ministro será o apoio a alunos imigrantes, com a existência de mediadores linguísticos e culturais e a atualização das tabelas de avaliação para quem está apenas a gatinhar na língua portuguesa. Acredito mesmo que estas medidas (a serem levadas a cabo)porão os cabelos em pé ao Dr. André Ventura que correrá para S. Bento a lamuriar junto do Primeiro Ministro, ele para quem os imigrantes estão sempre e todos a mais no nosso país.

Outro ponto interessante das ideias do ministro tem a ver com a utilização dos telemóveis pelos alunos mais novos. Sabendo nós que durante anos vivemos sem o dito aparelho e que não passaria pela cabeça de nenhum aluno dos primeiros anos estar em contacto permanente com os pais, faz todo o sentido para esta faixa etária, a meu ver, a decisão que foi (ou está a ser tomada).

Parece que esta é uma medida bem recebida até pelos pais, o que ajudará a ser executada sem grandes convulsões.
O mesmo não se dirá dos manuais digitais, que são assunto de polémica nas salas de professores e nas reuniões de pais e encarregados de educação, mas com muita gente a apreciar a redução do seu uso, voltando ao papel. Eis uma matéria a merecer também, só por si, uma longa crónica, pondo em paralelo os dias de hoje com os que já lá vão e as efetivas mudanças nas estruturas sociais das escolas. Mas deixemos para outra altura a conversa possível sobre isso.

Finalmente a área da Cidadania. Como se sabe esta é matéria em que se caminha sobre ovos quando se discute ou se decide.
Não fica ainda clara a ideia que acompanha o ministro. Refugiando-se na posição de que a avaliação dos currículos está a ser feita para todas as disciplinas, fica a impressão de que entre Luís Montenegro e Fernando Alexandre não há sintonia; daí que se possa esperar que haverá muita água a correr antes da decisão final.

Para concluir: decorre desde ontem e até amanhã em Lisboa, na Universidade Lusófona, um simpósio subordinado ao tema “Renovar o Contrato Social para a Educação: navegando em futuros possíveis” a pensar na Educação em mudança. Tem de ser!

Autoria de:

Opinião

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao