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Opinião: Miguel Macedo

14 de março de 2025 às 18 h08
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Faleceu ontem Miguel Macedo. De entre tantas notícias tristes que nos têm invadido, esta foi a que mais me afectou. Miguel Macedo licenciou-se em Direito aqui, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e também aqui foi dirigente da Associação Académica de Coimbra. Foi advogado e deputado à Assembleia da República em várias legislaturas (V, VI, VII, VIII, X e XI). Foi secretário de Estado da Juventude no governo de Cavaco Silva e secretário de Estado da Justiça nos governos de Durão Barroso e depois de Pedro Santana Lopes.
Foi secretário-geral do PSD quando era liderado por Marques Mendes, bem como líder da bancada parlamentar social-democrata no mesmo período. Já com Pedro Passos Coelho como líder do PSD e primeiro-ministro, foi ministro da Administração Interna do XIX Governo Constitucional. Na sua equipa pontificaram os secretários de Estado Fernando Alexandre, que hoje ainda é Ministro da Educação, o actual deputado João Almeida, e o colega advogado Filipe Lobo D’Avila.
Miguel Macedo apresentou a sua demissão a Passos Coelho em 16 de Novembro de 2014, na sequência da Operação Labirinto (que visava a atribuição de vistos Gold), tendo sido substituído no cargo pela Prof. Anabela Rodrigues. A Comissão de Ética da Assembleia da República decidiu, numa reunião à porta fechada, levantar-lhe a imunidade parlamentar e em Setembro de 2015 foi constituído arguido por prevaricação e tráfico de influências. Em Novembro do mesmo ano foi absolvido de todas as acusações! Mas nunca mais regressou à política, onde faz(ia) tanta falta.
Numa expressão impensável nos dias que correm, afirmou, aquando da sua demissão, que o fazia por ter a sua “autoridade diminuída”, mas sempre negou ter qualquer responsabilidade pessoal ou qualquer tipo de culpa no caso que envolvia os vistos Gold, o que se veio a confirmar. O nosso Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já reagiu, afirmando: “Foi com muita consternação que o Presidente da República tomou conhecimento do falecimento repentino de Miguel Macedo. Com profundas raízes minhotas, Miguel Macedo revelou uma preocupação permanente com a realidade nacional e internacional e granjeou o respeito e a consideração nos mais variados setores da vida portuguesa”. De facto, foi no estrangeiro que Miguel Macedo foi condecorado, em 2013, com a Gran Cruz del Mérito Civil do Reino de Espanha e ainda, no mesmo ano, com a Steua României (A Estrela da Roménia), a mais alta distinção romena, pelo contributo na cooperação entre os Ministérios da Administração Interna português e romeno.
Como grande político que foi, e melhor homem (o que me foi transmitido por quem melhor o conhecia), que a sua partida nos faça reflectir sobre algo cada vez mais raro no panorama político português: a noção de que todos os cargos são transitórios e que só o nome e consciência são definitivos. Miguel Macedo, a equipa que liderou e a que integrou, muito fez pelo país e o seu nome ficará para sempre registado numa estrela brilhante.

Autoria de:

Paulo Almeida

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