Opinião: Literacia digital vs Cultura digital
A sociedade da informação é um conceito utilizado para descrever uma sociedade e uma economia que realizam o melhor uso possível das tecnologias para trabalhar o conhecimento. A informação, enquanto material de apoio à decisão e à ação, está sujeita a um determinado enquadramento – contexto – que lhe dá valor e utilidade. A informação e a ciência têm impacto nas pessoas. O saber, porém, inclui uma dimensão de transformação social, económica e política, à qual se associa uma perspetiva mais pluralista e de desenvolvimento humano. De facto, a Knowledge Society ou a sua variante conhecida como sociedade de saber, expressa melhor a complexidade e o dinamismo das mudanças rápidas que estão continuamente a acontecer, em que a informação não é só importante para o crescimento económico, mas igualmente para fortalecer e desenvolver todos os setores da sociedade. Isto significa que descrever única e exclusivamente a realidade restringida à internet ou às TIC’s é demasiado reducionista, e assim sendo deve ser substituída por uma abrangência plural na qual se reconhece a heterogeneidade e a diversidade da sociedade humana. Ou seja, de acordo com a teoria da contingência, cada sociedade apropria-se das tecnologias para as suas prioridades especificas de desenvolvimento, mas não se deve adotar uma sociedade de informação pré-definida.
As pessoas, contudo, costumam usar os termos sociedade de informação e sociedade de conhecimento de forma intercambiável, sem terem a noção efetiva das diferenças. A informação significa dados processados por alguém ou alguma coisa, enquanto o conhecimento abarca as informações úteis obtidas através da aprendizagem, experiência e compreensão. A sociedade de conhecimento reflete o progresso intelectual, a sua rápida disseminação e universalização. No entanto, a expressão literacia digital está mais associada à sociedade da informação cuja característica fundamental é uma permanente transformação e alteração, assente em leis, regras e (nomos) cambiantes. A sociedade da informação é um alvo em movimento, tendo por isso de se adaptar a um fluxo de informação em volume, velocidade e variedade e que apresenta, cada vez mais, fluidez. Esta mudança, tem como corolário um grande impacto digital nos hábitos e na forma como os indivíduos manipulam a informação, o que pressupõe em know-how específico.
Em contrapartida, a sociedade do conhecimento revela uma cultura digital mais ampla e não somente maestria técnica, ao exigir o desenvolvimento de valores humanos que são vitais para a inovação, integração social e para a economia colaborativa. De facto, a transformação digital não é um processo exclusivamente empírico, graças ao facto de incorporar no seu domínio todo o processo cultural associado à construção de hábitos e costumes, o que quer dizer que a transformação digital deve ser desenvolvida de pessoas para pessoas. Na realidade, qualquer que seja a estratégia de transformação digital, ela é, antes de tudo, uma estratégia de transformação do mind-set. A cultura digital, analisada globalmente, pressupõe confiança nas infraestruturas digitais, na abertura à inovação, na economia colaborativa, na interdependência e nos objetivos e valores compartilhados. Nesta envolvente, a cultura digital é o conjunto de práticas, valores, hábitos e comportamentos que surgiram a partir do uso e desenvolvimento de tecnologias digitais. Envolve ainda o uso de dispositivos digitais como computadores, telemóveis, tablets e internet para criar, compartilhar e consumir conteúdo digital, ao que se agrega as profundas alterações nas maneiras como as pessoas comunicam, aprendem, trabalham e se relacionam.
