Opinião: JaGUar
Em apenas 30 segundos de um vídeo publicado nas redes sociais, a Jaguar anunciou que a sua marca de automóveis associada à elegância, energia e perícia intemporal, passava a ser “destemida, exuberante e atraente”. Para além de repentino, o corte do compromisso duradouro com o passado foi abrupto, pois deu por terminada a produção de todos os seus icónicos modelos. O futuro, agora, só contempla carros eléctricos. Como vão ser é um segredo bem guardado, tanto que no dito vídeo publicitário não surge um único carro. A explicação é dada pelos “patrões” da Jaguar: “Se tocarmos da mesma forma que todos os outros, seremos abafados. Por isso, não devemos aparecer como uma marca de automóveis”.
Eu sou do tempo em que a publicidade dava a conhecer a existência do produto, nos permitia compreender as suas características e vantagens e nos levava a comprá-lo, convictos dos seus benefícios. Dito de outra forma, a publicidade na sociedade de consumo associava a aquisição de um bem à felicidade, baseando-se vezes sem conta na old fashion concepção epicurista de que a felicidade se compõe de liberdade, amizade e reflexão.
Com a sua reviravolta, a Jaguar pretende redirecionar a marca para preços completamente diferentes, e por isso agiu de forma diferente. “Queríamos afastar-nos dos estereótipos tradicionais do sector automóvel”, justificaram. Os novos modelos eléctricos de luxo serão lançados no próximo ano e terão um preço superior a 100.000 euros. De acordo com a marca, são carros destinados a um público “mais jovem, mais abastado e urbano”. Os novos compradores identificados pela Jaguar serão “ricos em dinheiro e pobres em tempo”. Visto o vídeo, fiquei foi sem saber se serão felizes, mas isso é algo que também não parece importar à novíssima Jaguar.
