Opinião: IA para o progresso
Esta semana, Genebra voltou a afirmar-se como capital global da inteligência artificial, ao acolher mais uma edição da cimeira AI for Good, organizada pelas Nações Unidas. Mas não foi apenas palco de discursos: houve resultados concretos.
Destacam-se a nova iniciativa global para sistemas alimentares sustentáveis, a definição de padrões éticos para IA na saúde e mobilidade, e a ambição de formar 10 mil pessoas — sobretudo nos países em desenvolvimento — até 2035.
Enquanto na Suíça se constroem soluções com método e visão, Portugal continua sobretudo a observar. Não por falta de talento ou ideias, temos universidades vibrantes, startups criativas e empresas tecnológicas com ambição. Falta-nos, isso sim, dar o salto decisivo: transformar este potencial disperso num verdadeiro ecossistema estruturado.
O exemplo de Genebra é claro: o que move a inovação não é apenas o poder da tecnologia, mas o poder de uma rede coordenada — onde academia, empresas, governo e sociedade civil caminham lado a lado com metas comuns, compromissos assumidos e calendários definidos.
Portugal poderia — e deveria — seguir este modelo. Aplicar IA ao turismo sustentável, à mobilidade urbana, ao envelhecimento ativo. O país tem tudo o que é preciso. Falta apenas sincronizar o ritmo coletivo e transformar colaborações pontuais numa estratégia contínua. Coimbra também pode fazê-lo com mais ação coletiva.
Porque no fim, o futuro não se adivinha, organiza-se. E enquanto uns escrevem manifestos em conferências globais, outros continuam à espera que algo aconteça. O tempo é agora.
