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Opinião – Habitação acessível

18 de julho de 2025 às 10 h37
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Em toda a OCDE, as pessoas estão a ter dificuldade em suportar o custo da habitação. Os preços da habitação baixaram ligeiramente na maioria dos países desde o auge da pandemia de COVID-19, mas os elevados custos dos empréstimos estão a tornar a aquisição de casa própria inacessível para muitos, e as perspectivas para os inquilinos são igualmente pessimistas. O desafio da habitação é especialmente grande para as pessoas com rendimentos baixos ou instáveis, os jovens, as famílias com crianças e os idosos, e os sem-abrigo continuam a ser um desafio persistente.
Se se considerar a evolução do rácio preço/rendimento, existem diferenças acentuadas entre países. Antes da pandemia, entre 2015 e 2019, Portugal já integrava o grupo de países em que se verificava um aumento constante dos rácios preço/rendimento acima dos 110 pontos do índice. Desde o início da pandemia de COVID-19 (segundo trimestre de 2020 ) até aos dados mais recentes disponíveis (incluindo o terceiro trimestre de 2023 ) a maioria dos países agravou a sua situação, mas Portugal, entretanto, isolou-se como sendo o único país com um aumento constante do rácio preço/rendimento (o que significa um declínio constante da acessibilidade da habitação), com o índice a atingir os 157,7 pontos, o valor mais alto desde que há registos para o país.
E este ano tudo parece que vai piorar. A Caixa Geral de Depósitos projectou uma subida no preço da habitação em 2025, pois a procura continua a superar a oferta, o PRR impulsiona a economia e as baixas taxas de juro favorecem o consumo e o crédito. Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, já veio destacar a necessidade de termos mais capacidade de construção de habitação acessível.
Ao contrário do sector bancário, o fenómeno dos sem-abrigo é um desafio premente nos países da OCDE e da UE. Pelo menos 2 milhões de pessoas na OCDE foram consideradas sem-abrigo nas estatísticas oficiais do governo em 2024. No entanto, é bastante provável que se tratem de números subestimados, pois há dificuldades em monitorizar os países, bem como em entender que políticas públicas estão a ser concebidas para prevenir que alguém fique sem-abrigo e quais as que criam vias sustentáveis para sair desse flagelo.

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