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O fim da escola física

10 de julho de 2026 às 09 h30

Philippe Raynaud  La fin de l’École. Éléments pour une sociologie politique de l’école républicaine (1990), coautoria com Paul Thibaud vem discutir a instabilidade da regulamentação e certificação bem como da autoridade, num tempo de alunos habituados à singularidade e autonomia dos indivíduos.

 

O protagonismo das exigências para padronizar objectivos mais que instruir ou educar, veio a permitir a ascensão de milhares de ignaros ao ensino superior. A escola é empurrada a produzir finalistas, nem que os respalde em ínfimas exigências.

 

Num texto desconstrutivo, de arrepiar as ideias feitas, Agustina Paglayan (Argentina)  escreveu “Raised to Obey” que é um best seller da observação crítica do ensino. As escolas e o ensino tem sido deliberadamente para doutrinar, constranger visões críticas. Hoje, o controlador ideológico é o wokismo: a garantia de que só há um pensamento correto.

 

As ideias que foram impostas de massificação, de metas públicas, de doutrinação nas escolas, surgem em consonância com o fim das fardas, o arrepio das formaturas, a ausência de ordem unida, sobretudo no espaço do serviço público. O individualismo e o mercantilismo da imagem, aceita este convívio, a troco de uma paz que se consolida na liberdade do eu online. O eu não quer compromisso público, o eu não tem engajamento ideológico, com excepções obviamente.

 

A “cultura das metas” é uma ideia que já via crítica em Max Webber, mas que agora recebe um coro de sociólogos e pensadores críticos como Cristian Laval (Francês 1953- ) Stephen Ball (Inglês 1950 – ). O financiamento das instituições depende de taxas de aprovação, e a escola tem de facilitar para as obter. O aluno percorre o ensino para obter o diploma independentemente do conhecimento absorvido. Isto tinha de falhar, e rebentou com o estrondo de se ver no “Economist” de 25 de Junho de 2026, os resultados medíocres da qualidade geral dos alunos que chegam ao ensino superior no mundo ocidental. Para ler “students are doing worse than you think “. Está lá a mediocridade portuguesa também.

 

Vem tudo isto a propósito de que a escola, como a entendemos, está a chegar ao fim, e o ensino por Inteligência Artificial, a aprendizagem online, vão passar (já estão a passar) pelo período da obtenção de valor com certificado, diplomas que se vendem e permitem empregos.  Os nomes, os famosos, garantem a importância dos graus obtidos independentemente dos seus próprios créditos. Hoje, uma personagem com milhões de seguidores tem um impacto maior que muitos académicos consolidados.

 

O negócio consiste em construir créditos que se impõem para consolidar carreiras. O ensino passa para a esfera da obtenção temporária de alforrias, que assim pagam as instituições que as atribuem. Claro que os pagadores vão cansar-se dessa sujeição mercantilista, mas isso demora um pouco mais.

 

A escola física pode pois terminar em prol de uma existência online com  métodos transversalmente aceites pelos donos do negócio. A concentração do ensino em empresas milionárias, substitui as próprias universidades, pois assim já aconteceu na saúde, na distribuição alimentar, na roupa. O declínio dos espaços substituídos por aplicações cada vez mais sofisticadas e atraentes. 

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