Opinião: Feliz Natal
Está a chegar o Natal, a data em que, segundo o Novo Testamento, Jesus nasceu, nascimento que significa a entrada de Deus na essência humana. Jesus nasceu e, para a fé cristã, Deus veio habitar entre os homens.
Independentemente de ser crente ou não crente, a verdade é que, na altura natalícia, se vive, se respira, se transmite uma mensagem de amor ao próximo. Há um sentimento familiar quando todos se cruzam e uns aos outros formulam “Um Bom Natal”, “Um Feliz Natal”!… Para os cristãos, é uma mensagem de Jesus, uma mensagem de reflexão; para os que o não são, é sempre algo de positivo que o Natal gera nas sociedades. Há famílias religiosamente híbridas e que dividem momentos de alegria e amor; há muitas vezes as minorias que festejam com as maiorias sem pensar nas suas diferentes religiões.
À distância, quero com isto dizer que, estando nós na aproximação do Natal, este deverá ser um momento para pensar, reflectir, criar, ter e dar mais alegria uns aos outros … e sobretudo paz.
Mas, infelizmente, não é isso o que sentimos existir nem o que vemos. O Mundo está a tornar-se um lugar mais violento com o aumento das várias guerras, nomeadamente e com evidência, a guerra entre Israel e o Hammas, na Faixa de Gaza ou com o Hezbollah, no Líbano, e a invasão russa da Ucrânia. Conflitos armados em grande escala, com várias centenas de milhares de mortos e três ou quatro vezes mais centenas de milhares de feridos e milhões de refugiados a viver em condições sub-humanas. Agora mesmo, vemos o que está a acontecer na Síria, sem conseguirmos adivinhar as consequências porque desconhecemos muito (quase tudo, provavelmente) do que se passa na realidade, a avaliar pelo que sabemos de fontes mais isentas, como por exemplo a ONU.
Por sua vez, na política das nações, passaram a existir grandes transformações, quer no número quer na ideologia dos partidos que começaram a chegar à “boca de cena”. São muitas as reuniões, muitas as discussões, algumas as reflexões, mas poucas as conclusões positivas que de tudo isso se retiram.
Se agora juntarmos às guerras e conflitos as perturbações ambientais com impactos desastrosos já existente em alguns locais do Mundo, por um lado, com ondas de calor, incêndios ou seca e, por outro lado, com cheias e destruição, a que globalmente o poder existente nas sociedades humanas está indiferente ou não sabe procurar uma resposta, não há dúvida que o nosso Planeta está progressivamente a desviar-se da estabilidade e do equilíbrio do movimento pendular daqueles tempos em que as nossas vidas decorriam num Mundo harmónico, sem ondas sinusoidais que testemunhassem o esmagamento da Natureza e a sua força.
Estamos, dizia eu no início, a chegar ao Natal.
Que cada um crie um presente para si próprio e o abra concentrando a sua reflexão e a sua sensibilidade nos outros e no cerne das graves crises que o Mundo atravessa, para que seja possível caminharmos para uma reposição do equilíbrio.
Feliz Natal para todos.
