diario as beiras
opiniao

Opinião: Em rio com piranha, jacaré nada de costas

09 de junho de 2025 às 09 h49
0 comentário(s)

Rebaixar o estatuto político da Cultura de ministério a secretaria de estado é um erro estratégico e mostra falta de visão. Não existem razões ponderáveis nem dados objetivos que possam justificar tal decisão. Pensar a Cultura de forma redutora e associada a subsidiodependência é passadista.

Ao invés, muitos decisores políticos tendem a esquecer que as indústrias criativas representam 17 milhões de empregos e 7% do Produto Interno Bruto europeu. Número assinalável, sobretudo quando comparado com muitos outros setores de atividade. As indústrias criativas representam mais postos de trabalho que os setores das telecomunicações, da indústria automóvel ou da química, por exemplo. E por que motivo se fala tão pouco?..

Num país como Portugal, a Cultura tem um valor estratégico ainda mais particular, sobretudo quando associado ao nosso principal produto: o Turismo. Mais do que isso, num tempo em que a tecnologia é dominante e os modelos se alimentam de dados, países como Portugal – com enorme riqueza histórica, patrimonial e criativa – tem aqui uma oportunidade distintiva e de afirmação. Nunca seremos uma potência tecnológica, nem líderes em inteligência artificial, mas temos conteúdos que mais ninguém tem, temos uma das línguas mais faladas do mundo e temos um espaço criativo da portugalidade (que une continentes) que nos faz únicos.

A cultura é igualmente um instrumento educativo essencial. Estudos da UNESCO e da OCDE demonstram que o acesso à cultura desde a infância melhora significativamente as competências cognitivas, emocionais e sociais dos alunos. A integração das artes nos currículos escolares estimula a criatividade, o pensamento crítico e a empatia — capacidades fundamentais para as sociedades do futuro.

E, não menos importante, quando se fala tanto de migrantes, a cultura desempenha também um papel central na integração dessas comunidades, na promoção da diversidade e na luta contra a exclusão social. Projetos culturais comunitários, desde oficinas de teatro até festivais multiculturais, têm demonstrado a sua eficácia na promoção do diálogo intercultural, no reforço da cidadania ativa e na criação de redes sociais entre populações diversas.

Finalmente, num tempo em que a Europa enfrenta desafios como a guerra, a polarização política, o envelhecimento demográfico ou as transições digitais e ecológicas, investir na cultura é investir na coesão social, na economia sustentável e no desenvolvimento humano. A cultura não é um luxo nem um mero entretenimento — é uma necessidade coletiva e um bem público!

 

Autoria de:

Opinião

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao