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Opinião: Crónica de cinco anos de transformação digital

16 de outubro de 2025 às 10 h08
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Desde outubro de 2020 neste espaço de opinião, procurámos fazer desta coluna um observatório de algumas das maiores transformações digitais que têm marcado a sociedade. Mais do que uma opinião, estes artigos têm sido um exercício de observação sobre a forma como a tecnologia está a moldar a sociedade, transformar o trabalho, redefinir fronteiras e alterar a própria noção de progresso.

O fio condutor é a transformação digital, mas, acima de tudo, o modo como o ser humano procura adaptar-se a ela e que implicações tem na sociedade.

Ao longo destes cinco anos, registaram-se etapas de uma transição sem precedentes a que, podemos afirmar, tivemos a felicidade de assistir, desde a aceleração forçada pela pandemia até à afirmação da Inteligência Artificial como novo eixo nevrálgico do desenvolvimento tecnológico.

Em 2020, algumas das preocupações refletiam o início da chamada Indústria 4.0 e o nascimento de uma estratégia nacional de digitalização. As empresas percebiam a importância e o valor dos dados, a necessidade de avaliar a sua maturidade digital e de integrar novas tecnologias. Portugal entrava no debate europeu sobre a Transição Digital, com o PRR a apontar a digitalização como motor da reindustrialização e da competitividade.

O ano de 2021 marcou um ponto de inflexão iniciado, inesperadamente, no ano anterior. A pandemia consolidou o teletrabalho, a educação à distância e o uso intensivo de plataformas digitais. Discutiram-se os direitos digitais e emergiu a visão de uma “Sociedade 5.0”, mais humana, sustentável e resiliente. A Europa lançava a sua Década Digital, apostando em conectividade universal e competências digitais para todos. E Portugal afirmava-se como país forte no Índice de Digitalização da UE.

Em 2022 e de forma menos positiva, fomos obrigados a acompanhar o regresso da guerra à Europa – não só nas frentes tradicionais, mas também no ciberespaço. Os ciberataques, a cibersegurança e a dependência tecnológica tornaram-se novos campos de batalha. Ao mesmo tempo, o país consolidava a sua trajetória de digitalização, com o PRR e o Plano de Ação para a Transição Digital a gerarem resultados visíveis. O conceito de “nação digital” deixava de estar no papel.

2023 trouxe o fascínio e a inquietação da Inteligência Artificial generativa. O lançamento do ChatGPT inaugurou uma nova era de interação homem-máquina, levantando questões éticas, sociais e educativas. O trabalho híbrido consolidou-se e Portugal subiu posições no índice europeu de digitalização, embora persistissem desafios estruturais nas PME e nas competências digitais.

Em 2024 e 2025, a reflexão tem-se concentrado na maturidade da transformação digital. O debate passou da tecnologia para a ética, da aceleração para a regulação e responsabilidade e transparência na IA. A Estratégia Digital Nacional apontou metas até 2030: 80% da população com competências digitais básicas, 90% das PME digitalizadas e todos os serviços públicos disponíveis online. Uma transformação que se antevê ambiciosa.

Estes cinco anos revelam um percurso de progresso e consciência. Da promessa tecnológica à responsabilidade social, este é o mapa de uma era em que o digital deixou de ser futuro para se tornar o presente. Um presente que exige visão, ética e humanidade.

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