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Opinião: Crise eleitoral em Moçambique levanta ventos de mudança

11 de janeiro de 2025 às 13 h43
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Em Moçambique, uma bala é barata e o Governo há muito que está sem Povo. É o que se ouve nas ruas em resultado de cinco décadas de uma ditadura de partido único, escudada por esquadrões da morte e uma burguesia predadora que começou por expulsar milhares de portugueses e seus descendentes após 1975, mas que hoje passa mais tempo em Lisboa do que no país africano lusófono. É por isso que a cada dia que passa a maioria dos moçambicanos diz “odiar” a Frelimo.

Entre o passado e o presente contará certamente o futuro, principalmente porque as elites políticas de Pretória, Lisboa e Bruxelas insistem em manter a Frelimo no poder contra a nova vontade do Povo expressa democraticamente nas urnas, dizendo que “a fraude eleitoral não afetou o resultado global”. Os últimos dois meses, e o regresso do exílio esta semana de

Venâncio Mondlane, que se diz Presidente eleito pelo Povo, indicam o contrário.
Enquanto Lisboa se entretém com jogos no Parlamento, a crise política instalada em Moçambique na sequência da fraude eleitoral de outubro será a grande dor de cabeça da política externa da África do Sul este ano. A oposição moçambicana diz que esta crise eleitoral levanta “ventos de mudança” na região, sendo Angola, que vai a eleições em 2027, a próxima paragem do novo ciclone.

É pouco provável que os países da região Austral governada por ex-movimentos nacionalistas africanos há cinco décadas estejam preparados para abandonar o aliado Frelimo, que foi colocado no poder, sem referendo nem eleições, em 1974, pela então esquerda política e militar portuguesa, tendo servido de guardiã dos interesses da nova ditadura de partido único instalada nas últimas cinco décadas em Moçambique.

Estas eleições, como todas as outras desde o fim da guerra civil de 20 anos em 1994, foram também financiadas e capacitadas tecnicamente pelas Nações Unidas e a União Europeia.

Na sequência da enorme contestação popular, Pretória, Lisboa, e Bruxelas insistem que deve haver “diálogo”. Mas o Povo moçambicano, e o do lado de cá da fronteira, questionam: Porque é que quem perdeu não aceita a vontade eleitoral do Povo e quem ganhou é que deve ser obrigado a “negociar” um acordo de governação?
Afinal, para que servem eleições?

Autoria de:

Carlos Henriques

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