Opinião: Contra a corrente
Dizem-me que o país está em campanha eleitoral. Estou longe, mas enviarei o voto por correio. Nunca deixei de o fazer. Aliás, é o pouco que resta aos emigrantes fazer. Esquecidos que somos…
Cruzei-me com esta frase do Jean Cocteau (cineasta francês), “as minorias têm razão mais vezes do que as maiorias, porque são obrigadas a pensar. As maiorias apenas seguem”. E olho para trás. Concluo, que, curiosamente, quase sempre as minhas ideias e opiniões não foram vencedoras. Não sei se é bom ou mau, mas foi assim e sinto-me confortável com isso.
Aliás, na política como no futebol – ainda que uma nada tenha a ver com o outro – também sofro por quem raramente vence: a Académica de Coimbra, em Portugal, e o Vasco da Gama, no Brasil. Interessa-me o que representam ambos na história dos dois países, os respetivos valores e singularidades. Primeiro a paixão, a bola na rede vem depois.
Mas voltemos à política e à campanha eleitoral. Aliás, não admira que muita gente não vá votar. Que as sondagens confirmem o distanciamento crescente dos cidadãos da coisa pública e da política. Estas eleições não eram para existir. São um equívoco que resultou da incapacidade de diálogo entre os dois principais líderes partidários, o Luís e o Pedro.
E uma vez mais, cá estou eu a expressar uma opinião provavelmente minoritária, mas é a minha e a que creio seria necessária nesta hora de incerteza global e crescimento dos extremismos: Portugal precisa de crescer economicamente, de fazer reformas estruturais e de ter estabilidade. Isso só se alcança se os dois pilares do regime se entenderem. Nesse dia – ao contrário do que alguns dizem – “os Venturas da vida” não crescem, desaparecem, porque os problemas das pessoas passam a ser resolvidos na saúde, na educação e no emprego.
Um entendimento entre PS e PSD – veja-se a solução atual na Alemanha! – facilitaria a aplicação de políticas de longo prazo e poderia contribuir para desarmar a retórica extremista e desincentivar a ascensão de forças populistas. Esse entendimento sinalizaria um compromisso com a estabilidade o que pode gerar confiança dos investidores, das instituições europeias e dos parceiros internacionais.
Mas isso sou eu, uma vez mais, a pensar diferente…O Luís e o Pedro nem sequer se falam!…
