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Opinião: Competência e cooperação: as verdadeiras vitórias das autárquicas

20 de outubro de 2025 às 10 h54
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As eleições autárquicas do passado dia 12 de Outubro voltaram a lembrar-nos que a política local é, acima de qualquer outra coisa, feita de pessoas. E é precisamente por isso que, mais do que olhar para o mapa de vitórias e derrotas com municípios pintados das habituais cores, importa reflectir sobre quem colocámos à frente dos destinos dos nossos municípios.

Porque o futuro das nossas terras não depende apenas de partidos — depende, sobretudo, da competência, da visão e da capacidade de diálogo de quem as lidera. Prova irrefutável de que a maioria dos eleitores faz esta mesma leitura nas autárquicas, é crescimento consistente dos movimentos independentes em todo o país.

Tenho vindo a acompanhar, ao longo dos anos, a forma como diferentes autarquias enfrentam os desafios do desenvolvimento. E, se há algo que aprendi, é que nenhuma cresce de forma isolada ou por sua acção exclusiva. O sucesso de um concelho resulta sempre de uma teia de relações bem geridas entre o poder político, as empresas, as instituições e a comunidade. Quando autarquia e tecido empresarial trabalham de forma concertada, os resultados são visíveis: emprego, inovação, qualidade de vida. Quando não há entendimento, instala-se o imobilismo.

O crescimento populacional, social e económico de um território é inseparável dessa cooperação. A política cria condições — planeia, regula, investe em infra-estruturas. A economia responde — investe, arrisca, gera riqueza. É uma relação simbiótica que exige confiança mútua e sentido de responsabilidade. Por isso, precisamos de líderes com visão estratégica, sensibilidade social e capacidade de ouvir. Mais do que promessas, importa saber fazer.

Mas convém também reconhecer que nem todos os resultados se medem no imediato. Muitos dos investimentos que as autarquias realizam — sobretudo os estruturantes — são apostas de longo prazo. Demoram tempo a produzir efeitos visíveis. Avaliar essas decisões de forma precipitada é cometer uma injustiça com quem tem a coragem de pensar o futuro para lá de um mandato.

Há ainda factores externos que escapam ao controlo dos municípios e que influenciam, e muito, a concretização dos projectos. A burocracia associada a entidades nacionais, nomeadamente às que gerem fundos e programas comunitários, é um obstáculo que muitas vezes trava o ritmo do desenvolvimento local. As autarquias planeiam, as empresas aguardam, e o tempo passa. É um problema que exige maior articulação entre os diversos níveis de governo — e, acima de tudo, respeito pelos territórios e pelas pessoas que neles vivem e investem.

Seria igualmente um erro grave se passássemos a eleger projectos que vivessem apenas para o curto prazo — o tempo de um mandato — e que se limitassem a favorecer iniciativas de visão exclusivamente eleitoralista. A política local deve ser feita com ambição e responsabilidade, olhando para além do ciclo eleitoral e investindo em decisões que deixem marcas duradouras no território e na vida das pessoas.

Felizmente, no território onde faço a minha vida, a meu ver, a maioria das pessoas soube interpretar estas mesmas necessidades e escolher acertadamente.

O futuro dos nossos municípios dependerá da capacidade de continuarmos a construir pontes. Entre o público e o privado, entre o político e o económico, entre a urgência do presente e a paciência do futuro. Porque, no fim, o verdadeiro progresso não se faz em quatro anos — constrói-se com persistência, entendimento e competência. E é essa, afinal, a vitória que mais importa celebrar.

E o que é que isto tem que ver com a economia das empresas? Por tudo o que aqui escrevi, e porque qualquer empresa quer estar onde seja bem recebida, devidamente tratada e onde o futuro seja planeado a cada dia — absolutamente tudo.

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Autoria de:

Christophe Coimbra

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