Opinião – “Arquitetos de Viagens” (1)
DR
Decorreu de 1 a 5 de dezembro, em Macau, o 50º Congresso da APAVT – Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, um marco importantíssimo nos grandes encontros anuais desta associação profissional e de empresas do ramo, nomeadamente no ano em que cumpre 75 Anos de existência. Escrevo este artigo no último dia dos trabalhos – conferências, rede de contactos, negócios e imersão na cultura local – dado o privilégio de estar incluído na delegação do Turismo de Portugal, e respetivas escolas, que aqui de deslocou, por isso, daqui em diante, me refiro no presente ao que por aqui se passa por estes dias.
É de tal forma marcante este evento que boa parte do “ecossistema” do Turismo do nosso país para aqui se mudou durante quatro a cinco dias, ou não estivessem 1039 participantes acreditados. Merece a APVAT esta atenção, são efemérides importantes para a associação aquelas que se comemoram este ano, mas, acima de tudo, para além dos atos de celebração e de homenagens diversas, é esta mais uma oportunidade para discutir a atividade turística em Portugal e tudo o que com a mesma se relaciona, a sua relevância para a sociedade e a economia, também com olhar muito atento, como não podia deixar de ser, às especificidades das empresas e dos profissionais das agências de viagens. Análise ao presente, aprendendo com as lições (e erros) do passado, mas com muito foco no futuro, os desafios da era digital, da sustentabilidade 360º, dos necessários benefícios para as pessoas, que é, afinal, aquilo que nos deve guiar na estratégia e planeamento do Turismo para as próximas décadas.
Retirei o título deste artigo de uma frase que me pareceu muito feliz, enunciada por um congressista orador, Frank Oostdam, Presidente da European Travel Agents’ and Tour Operators’ Association, que na sua apresentação enalteceu o papel de sempre dos agentes de viagens, problematizando também o seu papel futuro perante os avassaladores desafios que acima enunciei, realçando que o contacto humano não poderá desaparecer e que isso pode ser complementar com a digitalização contínua deste e dos próximos tempos. Numa espécie de metáfora, que, espero, não passe apenas de um desejo, referiu que os modelos de negócios que a gestão e o marketing nos ensinaram – B2C (Business to Consumer) ou B2B (Business to Business) – se devem cada vez mais transformar em novos modelos, como H2H – Human to Human! Perspetiva muito interessante e que representa também uma forma de resiliência desta atividade, tão impactada nos anos do COVID, mas que não deixa de estar agora, igualmente, perante outras grandes incertezas do futuro. Quanto às muitas incertezas e a umas quantas certezas(?), terei de voltar em próximo artigo, pois a riqueza deste congresso da APAVT não cabe apenas neste espaço, como muito bem se compreende.
Até lá, desejo a todos e a todas umas Festas Felizes!
