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Opinião: Aplicações

16 de janeiro de 2026 às 11 h28
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1. As lentes como modo de pesquisa e de informação, tornaram os telemóveis um objecto cultural incontornável e ilimitado. A lente olha o título e identifica o produto, a origem, o valor da peça e desse modo entrega ao utilizador conhecimento que dava trabalho pesquisar. Não precisa mais.
O brilhantismo destas aplicações é um hino à preguiça. Mas é um conforto e um aconchego ao conhecimento. Rotulos de vinhos, cerâmicas bonitas, árvores, quadros, tudo se converte em uma câmara e um diagnóstico inteligente com base nas informações incutidas à leitura da lente. Imaginem que os nossos olhos tinham um computador agregado.
2 . As linhas de orientação para muitas tarefas são lentes de condução. O caso enquadra uma terminologia específica,uma catalogação clara, aplica -se o fluxograma y e já está. Cumpra -se.
A morte do esforço intelectual acompanha o assassinato da sabedoria. Os médicos que só cumprem orientações são substituíveis por maqueiros ou robôs. Reparem como o facebook é governado por uma aplicação obtusa e simplista que não distingue antropologia de pornografia. Mamas são inaceitáveis em quadros, fotografias do século XIX ou estudos de cirurgia plástica. O padrão é tão básico que a estrutura repousa no controlo acéfalo de uma aplicação.
Estamos perante uma aplicação antiga e ultrapassada. Se a META fosse equilibrada com lentes de aprendizagem falhava menos os critérios de exclusão dos seus clientes. Por outro lado o critério de verdade e falsidade é muito relativo na maioria dos assuntos. Interpretamos a realidade pelo ângulo em que estamos posicionados e portanto teríamos de ter um VAR em cada decisão.
Este é o mundo que devíamos evitar.
O erro e a frustração são peças do crescimento e da adaptação social. A pesquisa também foi. O trabalho de biblioteca foi infantilizado pelo Google lentes. O mundo está a mudar de modo muito rápido e as decisões de gente inculta serão sempre baseadas em conhecimento adquirido sem esforço na Internet. Podemos falsear esta informação se formos donos das aplicações. Está é a realidade que devia preocupar os políticos de agora porque estamos a construir os de amanhã, filhos das aplicações dos telemóveis.

Autoria de:

Diogo Cabrita

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