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Opinião: A propósito de uma ação da Pastoral do Turismo de Coimbra

07 de novembro de 2025 às 12 h56

Recentemente, e em boa hora, aderi a um convite da Comissão da Pastoral do Turismo da Diocese de Coimbra, neste caso, uma visita guiada ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, também designado como Convento da Rainha Santa Isabel. Esta atividade, pelo que entendi uma das primeiras do género desta organização em Coimbra, pretendeu evocar os 400 anos da canonização da Rainha Santa Isabel, apresentar aos interessados o património histórico e religioso ali edificado, com o respetivo espólio, associando ainda, porque de património também se trata, uma degustação gastronómica no final da visita, em que se privilegiou a doçaria coimbrã.
Percebi que, para boa parte dos visitantes, esta era uma experiência inédita, eu próprio ainda não tinha tido acesso a todos os espaços que nos foram mostrados, bem como à informação que nos foi sendo transmitida ao longo da visita em questão. E, pergunto, quantos ainda não sabem que aquele espaço é visitável, independente da organização destas visitas mais particulares? Felizmente, turistas nacionais e internacionais já o sabem, pois vimos vários a aceder à bilheteira e loja do mosteiro e com os mesmos nos fomos cruzando em algumas partes do trajeto. Porém, insisto, quantos conimbri censes ainda não conhecem, presencialmente, o património que têm “dentro de portas” da sua cidade e região? E isto faz-me lembrar outra, esta já “estafada” pergunta, ou será perplexidade(?): quantos conimbricenses não sabem ainda que temos na nossa cidade, no Mosteiro de Santa Cruz, um dos mais importantes panteões nacionais, que alberga os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I? E quantos ainda não o visitaram?
Pois saibamos que aqueles locais históricos são ambos visitáveis, e, ainda que no mundo do digital já se possa aceder a este tipo de espaços virtualmente (no caso concreto do Mosteiro de Santa Cruz e panteão nacional isso já é um facto há algum tempo), a visita virtual ainda não substitui a experiência que a visita real nos pode proporcionar, as sensações nesta última são outras, como pisar aquele chão, respirar aquele ar, sentir o frio toque daquelas pedras, o “peso” da história e a solenidade do espaço de religião e manifestação de fé dos crentes, o respeito e o silêncio, tantas vezes tranquilizador, mas também avassalador quando apenas nos deixa com os nossos pensamentos, questionamentos e angústias.
Deixo um, ou vários desafios a quem de direito, município, ou municípios, escolas, instituições de ensino superior, outras organizações, para que desenvolvam programas efetivos, desde as mais jovens idades e para todas as idades, para todo o tipo de cidadãos e que não apenas para turistas, de acesso a esta vertente da história e da cultura portuguesa, de acesso ao conhecimento, de acesso àquilo que temos e partilhamos em comum.

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