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O prémio da vergonha

08 de dezembro de 2025 às 13 h16

Infelizmente é cada vez mais frequente falar-se de futebol por causa do que se passa fora das “quatro linhas”. E não deveria ser assim. Apesar do Presidente da FIFA já nos ter habituado a polémicas, a semana passada creio ter passado todas as marcas aceitáveis. A criação de um alegado “Prémio da Paz” e a sua entrega inaugural a Donald Trump, pelas mãos de Gianni Infantino, é um episódio que envergonha o desporto mundial e que fere os próprios princípios que a organização diz defender. Não há qualquer justificação plausível, ética ou simbólica para esta distinção. Há apenas perplexidade, indignação e a sensação de que a FIFA decidiu esticar, até ao limite, a elasticidade da pouca credibilidade que lhe resta.

A paz pressupõe cooperação, diálogo, promoção de entendimento entre povos, culturas e nações. Pressupõe também exemplo, responsabilidade e um percurso público coerente com esses valores. Basta um olhar rápido para perceber que nada disso está presente nesta escolha. A figura de Donald Trump, carregada de polémicas, divisões internas e tensões internacionais, está a anos-luz de representar qualquer ideal de pacificação. A decisão da FIFA, ao elevá-lo a símbolo de paz, é um insulto à inteligência coletiva e um perigo para a própria ideia de “fair play”, coisa que Trump já demonstrou não ter!

Gianni Infantino, que já habituou o mundo a decisões erráticas e a uma gestão opaca, vai agora mais longe: tenta apropriar-se da retórica moralizadora para premiar o que é, pura e simplesmente, impossível de defender. Um “Prémio da Paz” que nasce sem critério transparente, sem fundamento reconhecível e sem coerência com os valores universais do futebol, não é um prémio: é propaganda. E propaganda barata.

Aliás, se houvesse coerência e não subserviência da FIFA, o prémio deveria ter sido entregue também à Presidente do México e ao Primeiro-Ministro do Canadá, os outros co-organizadores do Mundial em 2026!

Este episódio deveria servir de alerta e de vergonha. A FIFA não está acima da ética, nem do escrutínio público, nem dos valores que apregoa sempre que lhe convém. Apenas expõe, de forma dolorosamente clara, o quão distante a FIFA está do espírito do desporto que afirma representar.

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