O Humor que cala a Extrema-Direita
Num tempo em que discursos extremistas e populistas ganham terreno, é legítimo perguntar: como desmontar narrativas tipo-Chega que se alimentam do medo, da desinformação e da simplificação demagógica? Uns advogam o “cordão sanitário”, outros a desvalorização absoluta. Já vimos que um caso e outro não têm resultado. Talvez valha a pena pensar em algo diferente e até surpreendente.
O exemplo recente do meu conterrâneo e velho Amigo Gonçalo Capitão, deputado do PSD que levou o país às lágrimas de tanto rir pela forma como ridicularizou “Ventura e Companhia” no hemiciclo, mostra bem como o riso incomoda o autoritarismo!
O humor é uma ferramenta política poderosa porque desarma a retórica inflamada e expõe a fragilidade das ideias autoritárias e populistas. Regimes e líderes extremistas dependem da seriedade dramática, da estética do poder e da construção de inimigos imaginários (em regra minorias, emigrantes,…). Quando essas narrativas são confrontadas com sátira, perdem a aura de inevitabilidade e revelam-se pelo que são: absurdos travestidos de soluções simples.
A solução não é inovadora e existem relevantes exemplos históricos, em Portugal durante o salazarimo e por esse mundo fora, de como caricaturar os autocratas e os populistas se apresenta como forma eficaz de resistência. A lógica é clara: este tipo de líderes apresentam-se como figuras quase divinas, pelo que perdem força quando transformados em personagens de comédia.
Acresce, que num tempo de redes sociais os memes e os vídeos satíricos viralizam mais rápido que os chatos discursos políticos.
A ridicularização tem mostrado impacto contra populistas. Nos Estados Unidos com Trump ou no Brasil com Bolsonaro as paródias alertaram a opinião pública para os desmandos daqueles políticos e mostram o poder da sátira como denúncia. O humor cria comunidade e promove um pensamento crítico, impedindo que o medo seja a cola social. A extrema-direita aposta na divisão; o humor, na partilha. Gente radical leva-se demasiado a sério e não sabe lidar com o riso dos outros! Eis o caminho!

Não há contraditório a esta descarada propaganda anti-CHEGA?
É esta pouca vergonha a “independência” de que se deve revestir o jornalismo?