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Literacia e Cultura Digitais

18 de novembro de 2025 às 12 h06
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A literacia e a cultura digitais, ainda que interligadas, não significam exatamente a mesma coisa. Com efeito, o conhecimento profundo das ferramentas e aplicações da tecnologia da informação e comunicação não induz necessariamente o florescimento de uma cultura digital.

A literacia digital abarca o estágio do conhecimento eminentemente técnico das tecnologias digitais, mas não impacta necessariamente no ethos, ou seja, no conjunto de traços e modos de comportamento que expressa a identidade de uma coletividade, o que significa que a cultura está estritamente associada ao ethos hábito e ao ethos prática do digital.

Em termos antropológicos, o termo exprime uma espécie de síntese das tradições de um povo, além de evidenciar os atributos de uma comunidade, que a diferenciam, sob o ponto de vista social e humano de outros conjuntos de indivíduos. Trata-se consequentemente da identidade social de um grupo. Neste sentido, a cultura promove a sua própria ordenação, ao estabelecer normas e regras de conduta que devem ser obrigatoriamente observadas por todos os seus membros.

A tecnologia digital impacta, cresce e desenvolve-se dentro de uma cultura, e, assim sendo, qualquer sociedade é constrangida pelas suas técnicas digitais. Neste contexto, a cultura digital e a literacia digital fertilizam-se. Efetivamente, a cultura é todo o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábito adquiridos pelo homem integrado numa sociedade. É ainda transmitida pela socialização na formação dos sujeitos, sendo reinterpretada quando exteriorizada por entes socializados.

Concebe-se, deste modo, a cultura como um conjunto de hábitos adquiridos, expressão que significa ações individuais sucessivas, e, quando se observa um conjunto de sujeitos com hábitos definidos, infere-se que existe nesse agrupamento uma atitude ou um conjunto de procedimentos relativamente reinterado e compartilhado por todos num determinado ambiente. É nesta envolvente que surge e se expande a cultura digital.

Esta cultura é, pois, produzida através da interação social dos indivíduos que constroem os seus modos de pensar e sentir, recriam os seus valores, manipulam as suas identidades e diferenças e estabelecem as suas rotinas. Supletivamente, o conceito amplo de cultura está associado à invenção coletiva de símbolos, valores e ideias e comportamentos, ao ponto de se poder sugerir que todos os indivíduos e os grupos são seres e sujeitos culturais. Neste enquadramento, o digital é definido como a representação de base eletrónica da informação, com recurso a computadores e a redes.

Quando entrelaçados os conceitos – cultura + digital – surge a inter-relação entre a literacia digital e a cultura digital, dando origem a uma nova ecologia social. Esta expressão integrar um mix de significado filosófico, social e político que associa as questões ecológicas com as sociais, ao investigar as relações entre pessoas e o seu ambiente numa simbiose de interdependência e fertilização de pessoas, coletivos e instituições. Este conceito, popularizado por Murray Bookchin, tem subjacente as ideias de que as hierarquias sociais e a exploração desenfreada são a génese da destruição ambiental.

Autoria de:

Marques de Almeida

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