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Isto não é esquerda vs direita

19 de janeiro de 2026 às 10 h02
3 comentário(s)

Seguro versus Ventura não será uma contenda eleitoral entre a esquerda e a direita. Não! Ao invés de 1986, em que Mário Soares e Freitas do Amaral representavam claramente esses dois hemisférios da política nacional, tinham dois projetos políticos distintos e duas visões ideológicas.

Mas havia algo decisivo que hoje não se repete: ambos eram pais fundadores da democracia portuguesa, ambos tinham participado ativamente na construção do regime constitucional e ambos partilhavam um compromisso inabalável com o Estado de direito, as liberdades fundamentais e o pluralismo.

Ventura não é nada disto! Ventura não representa a direita. Estamos agora perante uma escolha entre um candidato que se move dentro da tradição democrática europeia e outro que questiona, instrumentaliza ou desvaloriza princípios essenciais dessa mesma democracia.

Ao contrário de 1986, a segunda volta destas presidenciais entre Seguro e Ventura não pode ser lida como um confronto clássico entre esquerda e direita. Essa simplificação é enganadora e politicamente perigosa!

Ventura não representa a direita democrática. O seu discurso e prática política afastam-se dos pilares que estruturaram a direita constitucional portuguesa após o 25 de Abril: respeito pelas instituições, pluralismo, Estado de direito, moderação e compromisso europeu. A sua agenda assenta numa lógica populista, identitária e punitiva, frequentemente hostil a minorias e aos contrapoderes, traços incompatíveis com a tradição liberal-conservadora democrática.

A social-democracia que fundou o PSD (inspirada em Sá Carneiro) sempre foi reformista, humanista e europeísta, colocando a dignidade da pessoa, a coesão social e a liberdade no centro da ação política. Esses valores não são partilhados por Ventura, nem no conteúdo das propostas nem no tom que usa para dividir a sociedade.

Por isso, esta segunda volta não opõe esquerda e direita, mas sim democracia liberal versus populismo iliberal. Não está em causa uma alternância ideológica normal; está em causa a defesa de um quadro democrático comum que permite, depois, que os verdadeiros democratas disputem políticas dentro das regras.

Autoria de:

Ricardo Castanheira

3 Comentários

  1. Miguel Coimbra diz:

    Como é possivel que para Presidente da República, um papel que se quer de moderador, conciliador, e regulador da constituição os portugueses colocam na segunda volta um candidato que já mostrou por várias vezes não cumprir essa mesma constituição e estar-se a marimbar para ela?
    A desinformação é cada vez maior. Um Presidente não governa, não faz leis, não “manda estrangeiros embora”,…

  2. Miguel Coimbra diz:

    Se André Ventura ganhar esta eleição, não tenham dúvidas que em Novembro o governo cai e temos um governo de iniciativa parlamentar com Ventura e o Chega. Ventura nunca escondeu que era essa a sua vontade. Isso está no programa do Chega. É isso que os portugueses querem? Um ditador com poder absoluto?

  3. Miguel Coimbra diz:

    Se André Ventura ganhar esta eleição, não tenha dúvidas que em Novembro o governo cai e temos um governo de iniciativa parlamentar com Ventura e o Chega. Ventura nunca escondeu que era essa a sua vontade. Isso está no programa do Chega. É isso que os portugueses querem? Um ditador com poder absoluto??

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