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Guerras distantes, media e impacto na saúde mental

25 de março de 2026 às 08 h00

As guerras parecem, muitas vezes, acontecimentos distantes, confinados a mapas e noticiários. Contudo, os seus efeitos psicológicos ultrapassam fronteiras e prolongam-se no tempo, atingindo pessoas de todas as idades, fora das zonas de conflito. Num mundo hiperconectado, a exposição contínua a imagens de destruição e sofrimento contribui para um clima emocional coletivo marcado por insegurança e incerteza.
A televisão continua a desempenhar um papel central neste fenómeno. Pela repetição de imagens impactantes e pela credibilidade que lhe é atribuída, reforça a proximidade dos acontecimentos e pode intensificar a sensação de ameaça. A sucessão de notícias negativas, sem enquadramento suficiente, pode contribuir para um estado de alerta persistente.
As redes sociais amplificam este efeito de forma distinta. A exposição é contínua, personalizada e frequentemente mais intensa, com conteúdos menos filtrados, dificultando o distanciamento e favorecendo uma relação mais emocional com os acontecimentos.
Ao longo do ciclo vital, o impacto potencial manifesta-se de forma diferenciada. Na infância, pode perturbar o desenvolvimento emocional, particularmente em crianças expostas previamente a situações de adversidade; na adolescência, fase sensível à instabilidade social, a exposição prolongada a contextos de conflito pode moldar a perceção do futuro e reforçar sentimentos de incerteza; na idade adulta, os efeitos surgem frequentemente de forma indireta, associados a preocupações com a escalada de conflitos, instabilidade económica e polarização social; e, nas pessoas mais velhas, pode reativar memórias de eventos de vida com impacto na saúde mental e no bem-estar.
Mesmo longe dos teatros de guerra, Portugal não está imune a este efeito. Para reduzir a perceção de ameaça permanente, é crucial, na construção das notícias, gerir a repetição de imagens, enquadrar os acontecimentos e equilibrar diferentes perspetivas.
Informar é indispensável, mas importa ter em conta, na apresentação dos conteúdos, a minimização dos fatores de risco para a saúde mental.

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