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Governo diz-se de “portas abertas” ao diálogo para evitar greve que “não serve interesses dos portugueses”

13 de novembro de 2025 às 17 h46
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O Governo assinalou hoje que está de “portas abertas” ao diálogo para evitar a greve geral, defendendo que a paralisação prevista “não serve os interesses dos portugueses”, sem querer para já abordar a hipótese de serviços mínimos.

“Os portugueses querem que o diálogo avance, não querem que o país pare”, disse o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de ministros, em que defendeu que o executivo tem feito “aproximações efetivas” às posições das centrais sindicais.

O ministro defendeu que “a procissão legislativa ainda vai no adro”, recorrendo a uma expressão já utilizada pelo Presidente da República, e, questionado se o Governo admite decretar serviços mínimos na greve geral prevista para 11 de dezembro, recusou abordar para já este tema.

“Nós não vamos escalar a linguagem num momento em que há decisões a tomar, não há sequer pré-avisos, e nós esperemos que não venham a existir”, disse.

Leitão Amaro nunca respondeu ao facto de alguns dirigentes do PSD também terem divergências quanto ao pacote laboral em discussão na concertação social – como a presidente da UGT e vice-presidente do PSD Lucinda Dâmaso ou o líder dos Trabalhadores Social-Democratas, Pedro Roque.

“Perguntaram-me a quem é que serve esta greve, eu garanto-vos a quem é que não serve: aos portugueses, que vão ficar apeados na estação de comboio, que vão ficar apeados à porta de serviços públicos, que querem trabalhar e não conseguem, que querem deixar os filhos para aprender e não conseguem”, apontou, depois de o primeiro-ministro ter dito que a paralisação serviria apenas interesses partidários de PS e PCP.

O ministro da Presidência escusou-se a abordar qualquer reunião em concreto com a UGT, contrapondo que têm existido muitas, e defendeu que “o Governo está a dar passos concretos, de efetivas aproximações aos parceiros sociais, mostrando uma verdadeira, uma real e concretizada abertura séria ao diálogo”.

“Não se percebe por isso – e eu creio que os portugueses não compreendem – porque é que, estando numa fase de conversas e de diálogo, há uma greve, e se quer parar o país”, afirmou.

Leitão Amaro repetiu alguns dos argumentos já utilizados pelo primeiro-ministro, dizendo que a greve geral “é incompreensível” quando existem aumentos de salários mínimos e médios, descida de impostos e um “histórico de acordos” laborais durante o ano e meio de governação PSD/CDS-PP.

“Ninguém compreende que alguns queiram parar o país prejudicando a vida de tantos milhões”, criticou.

Perante a insistência dos jornalistas – que também o questionaram se o Governo irá negociar o pacote laboral apenas com o Chega -, o ministro reiterou apenas, nesta fase, a disponibilidade de dialogar em sede de concertação social.

“Portas abertas, braços abertos ao diálogo, e um esforço proativo de fazer aproximação”, resumiu.

A UGT aprovou hoje a decisão de avançar, em convergência com a CGTP, para uma greve geral em 11 de dezembro, contra o anteprojeto do Governo de reforma da legislação laboral, um anúncio feito já depois de terminada a conferência de imprensa do Conselho de Ministros.

A decisão foi hoje aprovada por unanimidade e aclamação pelo Conselho Geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), sob proposta do secretariado nacional.

Esta será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.

1 Comentário

  1. Miguel Coimbra diz:

    Eu também sei a quem é que este pacote laboral não interessa: aos portugueses. Não podemos ter uma legislação em que o patrão pode despedir o empregado sem qualquer razão justificativa. Não podemos ter medidas que causam ainda mais precariedade nos trabalhadores. Queixamo-nos que o país está a envelhecer e avançamos cada vez mais na direção da instabilidade pessoa. Assim não vão nascer mais crianças! Qualquer pessoa em situação precária não vai querer ter filhos porque não tem condições para os criar!

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