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Eleitos municipais e munícipe criticam distinção da Câmara de Coimbra à ADAV

27 de junho às 16h57
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DB-Ana Catarina Ferreira

Vários deputados da Assembleia Municipal de Coimbra e uma munícipe criticaram hoje a atribuição da medalha de mérito da Câmara à Associação de Defesa e Apoio da Vida (ADAV), que se afirma contra o aborto e a eutanásia.

“Creio dar voz à profunda indignação de um concelho que não se revê na ideologia e nas práticas de uma associação que combate o direito ao aborto”, destacou a munícipe Catarina Martins, na sessão da Assembleia Municipal de Coimbra, que decorre esta tarde no Convento São Francisco.

Na última sexta-feira, a Câmara Municipal aprovou, por maioria, em reunião do executivo, a atribuição da medalha de mérito solidariedade social – ouro à ADAV, no Dia da Cidade (04 de julho).

Todas as restantes distinções a atribuir a pessoas e instituições foram aprovadas por unanimidade, com exceção da medalha à ADAV, que contou com os votos contra dos vereadores do PS e da Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV).

Para a munícipe Catarina Martins, que disse falar enquanto mulher, mãe e professora universitária, garantindo não ser filiada em nenhum partido ou movimento, “a atividade da ADAV serve propósitos de indoutrinação”.

“Ao condecorá-la, a cidade de Coimbra legitimaria e reforçaria a dimensão de doutrinação política da ADAV, inaceitável numa associação de ação social, qualquer que seja o seu sentido político”, alegou.

Ao longo da sua intervenção, Catarina Martins pediu ao presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, para “não cometer a indignidade de colocar Coimbra no mapa como cidade antiaborto, contrária ao direito das mulheres a uma maternidade escolhida, livre e segura”.

“Não aceitamos esta regressão, que só serve a direita ultraconservadora e os novos fascismos. Conte, senhor presidente da Câmara, com a nossa mais veemente oposição”, afirmou.

Já a deputada do grupo municipal Cidadãos por Coimbra (CpC), Graça Simões, disse não perceber o que a ADAV faz para receber uma condecoração tão honrosa e especial.

“Não conseguimos perceber, porque o último relatório de atividades publicado desta associação é de 2019, já lá vão quatro anos. Dar medalha de ouro assim, só porque sim? É necessária uma escolha criteriosa, que defina os serviços relevantes à comunidade para receberem esta medalha”, sustentou.

Também o eleito pelo PS, Luís Filipe Silva, apontou que esta distinção “é, no melhor dos cenários, imponderada e infeliz, e, no pior dos cenários, uma associação do executivo a esta forma de pensar, que já era bafienta no século passado”.

O deputado da CDU, Pinto Ângelo, mostrou-se solidário com a posição da munícipe contra a distinção e subscreveu a intervenção do deputado Luís Filipe Silva que o antecedeu, criticando “a promoção feita a uma associação que tudo faz para contrariar os direitos das mulheres”.

O presidente da Junta da União de Freguesias de Coimbra (Almedina, Santa Cruz, Sé Nova e S. Bartolomeu), onde a ADAV tem sede, aproveitou para entregar o relatório de atividades de 2023 desta associação, assegurando que “há muita desinformação” em relação à sua atividade.

Nesta ocasião, João Francisco Campos frisou que anualmente a associação apoia perto de três centenas de mulheres solteiras e entrega anualmente mais de duas centenas de enxovais a mães solteiras.

O presidente da Câmara de Coimbra, eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS/NC/PPM/ALIANÇA/RIR/VOLT), explicou que a distinção à ADAV se apoiou na sua ação e atividade, recordando os seus objetivos no apoio à família e promoção da vida humana e da dignidade da mulher.

José Manuel Silva elencou projetos e serviços da ADAV, que tem um gabinete de serviço social que “já acompanhou mais de 500 famílias do concelho”.

“O gabinete de psicologia já seguiu mais de 250 processos e realizou mais de 400 consultas”, referiu, acrescentando ainda que o Banco da Maternidade e da Criança disponibilizou mais de 50 mil bens”.

“O resto são polémicas menos importantes”, concluiu.

Autoria de:

Agência Lusa

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