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Democracia sempre

12 de fevereiro de 2026 às 10 h54
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Nesta segunda volta das eleições presidenciais, o círculo da Bélgica trouxe números claros – e um sinal igualmente claro. A comunidade portuguesa residente neste país voltou a mobilizar-se, com uma participação de 3.112 votantes (14,89% dos recenseados), um máximo histórico em eleições exclusivamente presenciais. Um número claramente mais alto do que nas presidenciais de 2021, quando a participação foi de apenas 7,04%.

António José Seguro venceu com 73,68% dos votos (2.234), contra 26,32% (798) de André Ventura. Houve ainda 49 votos em branco e 31 nulos. Os resultados da Bélgica alinharam-se com os de Portugal e outros da diáspora na maioria dos países europeus como Espanha, Alemanha, Dinamarca, Reino Unido ou Itália. O impacto destes resultados fez-se sentir na imprensa internacional, que sublinhou o papel da diáspora na defesa da democracia e na rejeição de discursos extremistas.

Nas legislativas de 2025, com voto por correspondência, a taxa de votantes chegou aos 36,33%, o que mostra que a disponibilidade para participar existe, e que o voto exclusivamente presencial em consulado representa, por si só, um esforço suplementar. Na Bélgica há apenas um local de voto, em Bruxelas – o que envolve uma deslocação importante para quem vive noutras regiões mais remotas do país. E para os emigrantes não há opção de voto antecipado, apesar de as instalações da nossa embaixada servirem para os cidadãos recenseados em Portugal virem exercer o seu direito de voto antecipadamente. Incrível, não é?

Nas minhas duas terras do coração – Bruxelas e Coimbra (Olivais) – a mensagem foi simples mas evidente: não temos lugar para nacionalismos inflamados, simplificações perigosas, ou promessas fáceis para problemas complexos. A memória colectiva ainda existe num país que viveu quase meio século em ditadura.

Autoria de:

Catarina Moleiro

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