Curar Vencer
Em 2021, quando o sistema de saúde vivia um momento crítico, foi uma unidade militar que abriu portas, respondeu com eficácia e ajudou o país a enfrentar a pandemia. O Centro de Saúde Militar de Coimbra (CSMC) demonstrou que a medicina militar é uma verdadeira força de paz. A sua divisa ‘Curar Vencer’ encontra expressão concreta na forma como esta instituição tem desenvolvido a sua atividade.
Criado em 1911 como Hospital Militar e instalado desde 1918 no Colégio das Ursulinas, entre o Seminário Maior e o Jardim Botânico, com uma vista dominante sobre o Mondego, o CSMC construiu ao longo de mais de um século uma identidade própria, assente na organização e na capacidade de resposta.
A designação de Centro de Saúde é manifestamente redutora. O CSMC é hoje uma unidade médica com capacidade clínica diferenciada, integrando dezasseis especialidades dos cuidados primários e hospitalares, meios complementares de diagnóstico, procedimentos clínicos diferenciados e cerca de 12000 consultas anuais. Mas o que verdadeiramente o distingue não é a sua estrutura, é o desempenho. É a capacidade de cuidar com qualidade, responder com rapidez e garantir segurança assistencial.
Num tempo em que o sistema de saúde enfrenta pressões crescentes, o CSMC afirma-se como um recurso clínico relevante para Coimbra e para toda a Região Centro.
Na medicina desportiva, na saúde assistencial e operacional e, sobretudo, na preparação para cenários de catástrofe e emergência, existe um conhecimento e uma capacidade que não podem continuar à margem da estratégia nacional de saúde. Quando os sistemas são testados, não há espaço para improviso, e é precisamente aí que a medicina militar faz a diferença.
Na cerimónia de 19 de março, dia festivo da instituição, o Chefe do Estado-Maior do Exército, General Eduardo Mendes Ferrão, e o Coronel Médico Rafael Pombo deixaram uma mensagem que deve ser devidamente valorizada: a medicina militar é uma força de paz, de solidariedade e um forte contributo para o desenvolvimento dos cuidados de saúde em Portugal.
A medicina civil e a medicina militar não devem caminhar em paralelo, ignorando-se. Devem cooperar, articular-se e aprender uma com a outra. É dessa convergência que poderá nascer uma resposta mais robusta, mais preparada e mais justa para todos.
Este Hospital (designação que, a meu ver, melhor traduz a sua natureza) não é apenas uma unidade militar. Reúne condições, dispõe de recursos e, sobretudo, evidencia dedicação, competência e ambição.
O CSMC é um ativo estratégico que o país não pode desperdiçar.

