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Bruxelas num manto branco

15 de janeiro de 2026 às 10 h43
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Este ano, o Inverno não tem sido o habitual cinzento húmido com chuva. Tem sido branco, gelado… e para muitos inesperado.

Os episódios recentes de neve em Bruxelas têm sido muito mais intensos e frequentes do que nos últimos anos. Os termómetros têm descido na capital até aos 10 graus negativos. E parece que ainda não acabou.

Caminhar pela cidade é o primeiro desafio – a técnica é universal e rapidamente adoptada por todos: passos curtos, pernas ligeiramente afastadas, braços soltos, com mãos fora dos bolsos (para aparar as quedas) e olhar fixo no chão (à procura do pedaço de calçada com menos placas de gelo). Resumidamente, andar como um pato é uma estratégia de sobrevivência.

Os serviços meteorológicos emitiram vários alertas amarelos e laranja devido a estradas escorregadias e risco de gelo. No aeroporto de Bruxelas, também dezenas de voos foram cancelados. Para quem viaja, neve significa filas maiores, atrasos e aquele momento em que o anúncio de remoção de gelo das asas do avião demora ainda mais o voo.

Nas estradas, a combinação de neve e gelo transformou tudo num ringue improvisado. Nestes dias, torna-se quase normal ver carros em passeios, pequenos choques, viaturas a andar em falso ou a deslizar sem leme. Quem conduz aprende depressa que aqui o inverno não perdoa distrações. Por mim, já aprendi a lição há uns anos – em dias de neve não conduzo.

Mas nem tudo é caos. A neve torna tudo mais bonito, como um postal: o branco cobre as árvores, parques e casas. A neve traz um silêncio que a chuva não atinge. É no fundo uma mistura de encanto e inconveniência permanente. É um Janeiro atípico em Bruxelas, onde até o tempo gosta de testar paciência e perícia, lembrando que a Bélgica também sabe ser rigorosa quando quer.

Autoria de:

Catarina Moleiro

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