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Alojamentos nas aldeias de xisto da Serra da Lousã com atividade cancelada

01 de fevereiro de 2026 às 13 h44
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Os alojamentos nas aldeias de xisto da Serra da Lousã, no interior do distrito de Coimbra, viram a sua atividade interrompida ou fortemente condicionada depois da passagem da depressão Kristin, disseram à agência Lusa alguns dos operadores turísticos.

“Estamos fechados por várias razões: falta de energia, que chegou no sábado, e de água, mas também de acessos”, explicou Sérgio Alves, diretor-executivo do projeto Cerdeira – Home for Creativity, que detém 10 casas, com capacidade para 54 pessoas.

As reservas para este fim de semana estavam esgotadas e ainda não é garantido que os alojamentos reabram no próximo, estando tudo dependente da reabertura da Estrada Nacional 236, que liga a Lousã à Castanheira de Pera, pela Serra da Lousã.

“O nosso maior problema é um curso de cerâmica que se inicia na segunda-feira, com temos participantes dos Estados Unidos da América e do Brasil, que já estão em viagem, e ainda não sabemos como vai ser”, enfatizou o responsável.

O projeto Cerdeira – Home for Creativity é constituído por várias casas de xisto, que sofreram poucos danos com os ventos ciclónicos da depressão Kristin.

Ainda no concelho da Lousã, na aldeia de xisto do Talasnal, o proprietário do alojamento Montanhas de Amor foi também obrigado a parar toda a atividade e a cancelar as reservas.

Salientando que a aldeia “está um caos”, Joaquim Lourenço relatou que todas as casas da aldeia sofreram estragos e a eletricidade só foi reposta no sábado, continuando sem acesso à Internet e televisão.

“Isto foi uma coisa louca. Houve lousas de xisto arrancadas dos telhados projetadas a mais de 200 metros”, disse.

Ainda sem tempo para avaliar os prejuízos, Joaquim Lourenço salientou que a casa de alojamento mais recente foi a que mais sofreu com a tempestade.

“Tinha as nove casas todas preenchidas”, lamentou o operador turístico, referindo que também teve de encerrar a taberna-restaurante de que é proprietário.

A previsão é reabrir na próxima sexta-feira.

Na aldeia de xisto no Gondramaz, concelho de Miranda do Corvo, a sua posição geográfica evitou grandes danos na passagem da depressão, mas o alojamento o Mountain Whispers registo 50% de cancelamento nas reservas.

“Nesta altura estávamos esgotados, mas muitas pessoas tiveram receio de viajar ou que voltasse a acontecer mais alguma coisa”, disse a proprietária Margarida Amaral, referindo que a aldeia esteve isolada dois dias devido às árvores caídas no acesso.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Este sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça.Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de hoje para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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