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10 Junho: Seguro defende paz, direitos humanos e “relação de equilíbrio” com aliados

10 de junho de 2026 às 12 h49
Fotografia: DR

O Presidente da República defendeu hoje, a partir dos Açores, a paz, os direitos humanos e a Carta das Nações Unidas e uma “relação de equilíbrio” com os aliados, no seu discurso do 10 de Junho.

Nesta ocasião, António José Seguro insistiu na ideia de que a “autonomia estratégica europeia” é conciliável com a “defesa transatlântica”, acrescentando: “Autonomia não significa isolamento. Significa liberdade de decisão e responsabilidade, aperfeiçoando, atualizando e reforçando cooperações bilaterais com os nossos aliados”.

Na cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde está situada a Base das Lajes, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas referiu que os Açores estão “num ponto estratégico da relação entre a Europa e o continente americano, entre o Atlântico Norte e as grandes rotas marítimas e aéreas que estruturam a ordem global”.

 

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“Por todas estas razões, é um lugar que nos obriga a assumir especiais responsabilidades e deveres, no quadro da afirmação plena da nossa soberania, dos nossos interesses e do nosso futuro estratégico. Sempre no respeito mútuo do que está assumido, seja com um país, seja com a comunidade internacional e com a Carta das Nações Unidas. E na minha perspetiva, uma situação não está dissociada das outras”, afirmou, na parte inicial do seu discurso.

António José Seguro enquadrou “o presente e o futuro da Europa e da América do Norte” como “dimensões de uma mesma comunidade de segurança, que tem na NATO o seu pilar fundamental” e o Atlântico como “parte da autonomia estratégica europeia, do ponto de vista político, económico, energético, tecnológico e de segurança e defesa”.

Segundo o Presidente da República, “a autonomia estratégica europeia como prioridade não é contraditória com a defesa transatlântica”, mas “o seu complemento natural”.

“A garantia da segurança dos países europeus só é possível em articulação com os nossos aliados, numa relação de equilíbrio e reciprocidade, de respeito pela soberania dos Estados, assente em valores que, apesar da incerteza dos tempos, não mudam: a paz, a liberdade, os direitos humanos e o multilateralismo – valores que norteiam a ação das nossas Forças Armadas em Portugal e destacadas em missão por todo o mundo”, sustentou.

O Presidente da República referiu-se às Forças Armadas como “um dos pilares fundamentais do Estado democrático, a garantia permanente da soberania da República, da integridade territorial e da liberdade do povo português”.

“Quando a tempestade ameaça o horizonte e o medo percorre a terra, são elas que permanecem firmes, defendendo a paz em vez da guerra. Saúdo a vossa lealdade e a vossa dedicação e amor a Portugal”, acrescentou.

O Dia de Portugal é comemorado na ilha Terceira numa altura em que a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América, no contexto da guerra contra o Irão, tem suscitado polémica.

O Presidente da República, que não comentou até agora este assunto em público, de forma direta, não o quis abordar diretamente nesta ocasião.

“Não é o momento para falarmos dessas situações. Este é um momento para celebrarmos Portugal, é um momento de união do nosso país”, justificou, em resposta aos jornalistas, na terça-feira, à chegada a Angra do Heroísmo.

Enquanto candidato presidencial, num debate nas rádios, em janeiro, António José Seguro considerou necessário que o acordo de cooperação que regula a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América “seja revisto, não porque há algum drama em cima da mesa, mas porque há necessidade de o atualizar”.

Há mais de 20 anos, em 2003, também Jorge Sampaio celebrou o 10 de Junho na ilha Terceira, meses depois da cimeira das Lajes, que antecedeu a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos da América.

Na sua intervenção nessa cerimónia, o então Presidente da República apelou ao combate ao “populismo fácil que para tudo tem solução” e a “consensos mínimos” para “celeridade nas reformas”, e propôs “uma nova abordagem nacional dos oceanos”.

Hoje, António José Seguro começou o seu discurso a falar do mar, citando versos de Vitorino Nemésio, nascido na ilha Terceira: “Quando penso no mar, o mar regressa a certa forma que só teve em mim – que onde acaba, o coração começa”.

“Falar de mar é falar da identidade portuguesa. É também por isso que quis estar aqui, em Angra do Heroísmo, no coração do Atlântico, para celebrar o Dia de Portugal”, declarou.

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