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Quando o medo se faz coragem

26 de maio de 2026 às 10 h15

No domingo celebrámos a festa do Pentecostes. Uma festa que não é apenas litúrgica, mas também existencial. Uma festa que ultrapassa as fronteiras dos cristãos e até dos crentes. Uma festa que pode tocar a vida de todos.

 

Tudo começou num vento que despertou os discípulos que estavam com medo, em casa com as portas fechadas. Quanto das nossas vidas e das nossas instituições não acontece por causa do medo?

 

Continuamos a precisar de ventos que nos tiram de casa, que nos despertem a consciência, que nos animem… Continuamos a precisar de um Pentecostes… a começar na Igreja.

 

Este vento é o Espírito. A palavra hebraico ruah significa sopro vital. O sopro de Deus que está presente desde a criação, desde a primeira hora. Em grego encontramos a palavra pneuma a significar sopro, vento, respiração, vida e espírito.

 

Sem esse sopro vital não vivemos, falta-nos a respiração, falta-nos a vida. O que significará viver sem espírito? Apenas rotina, arrasto, cansaço, desgaste… deixa andar. As palavras e os gestos sem espírito sabem a pouco.

 

No livro dos Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo é apresentado com a metáfora do fogo – como línguas de fogo que descem sobre todos. O fogo que queima, ilumina, aquece, purifica…

 

Mas os discípulos de então, e os homens e mulheres de hoje, muitas vezes, continuam de portas fechadas, com medo… dos outros e de Deus. Fechados sobre si mesmos, a secar por dentro, sem entusiasmo… sem fogo. Tudo morno quando não frio.

 

O Pentecostes abre portas e corações, transforma o medo em coragem, tira-nos do sofá, transforma-nos em testemunhas de vida plena – não de morte, mas de ressurreição. O Espírito Santo põe a Igreja na rua, quer uma Igreja em saída.

 

Somos desafiados a construir um mundo não à nossa medida, não do nosso tamanho, mas à medida do Espírito. (A torre de) Babel – metáfora do egoísmo e da substituição de Deus, dá lugar a Pentecostes – lugar de comunhão e de acolher a diversidade.

 

Apesar de geografias e línguas diferentes, no Pentecostes, todos se compreendiam. O Espírito torna-nos santos e faz-nos olhar para a diferença com acolhimento e como riqueza.

 

Viver no Espírito é tronar sagrada a vida e as relações, é fazer do quotidiano uma missão e uma entrega.

 

O que fazemos pelos outros? Como colocamos o nosso melhor ao serviço? O que podemos fazer pela nossa comunidade, pela Igreja e pelo mundo?

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