As empresas como centro de criação de riqueza/valor
Todos os anos são atribuídas por entidades públicas e privadas, distinções a empresas (PME EXCELENCIA/PME LIDER/as melhores empresas para trabalhar, etc), que visam sobretudo valorizar e reconhecer o seu mérito empresarial, as suas qualidades de gestão, o seu ambiente laboral, a sua pegada ecológica e mais recentemente o seu contributo para a economia verde e descarbonização do planeta.
Estas iniciativas que premeiam o mérito empresarial e geram uma saudável concorrência entre as empresas, são relevantes para as empresas e empresários, mas a centralidade das decisões de gestão, no curto, médio e longo prazo, deverão estar focadas na criação de riqueza, para que as mesmas, cresçam e se desenvolvam de forma sustentável.
Este desiderato é central e determinante para o sucesso futuro da organização, implica escolhas estratégicas, implicam investimentos eficientes na área produtiva, em ID, em novos mercados e novos produtos, na criação de redes e sinergias entre várias empresas e na criação de “clusters” setoriais.
Mas para tudo isto ser possível, é necessário que as empresas sejam rentáveis na sua operação core (principal), que criem e acumulem riqueza, permitindo fazer novos investimentos, remunerar melhor os acionistas, remunerar e premiar melhor os seus colaboradores e proporcionar um ambiente favorável aos seus Stakholders.
A medida mais objetiva da rentabilidade de uma empresa é o seu EBITDA (1) – (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), a qual permite saber quais os fluxos de caixa gerados pelo negócio, mostrando uma imagem mais clara e fiel do que a empresa ganha ou perde com a sua atividade operacional e nesta medida perceber a sua produtividade e eficiência, sem influência de fatores externos ao negócio.
Este rácio é ainda relevante do ponto de vista financeiro para, o cálculo da capacidade de endividamento, a remuneração dos acionistas, criar “almofadas” financeiras para o futuro e aferir o valor atual e futuro da empresa (garantia da sustentabilidade).
No atual contexto de algumas incertezas internas e sobretudo externas, com um ambiente económico a caminhar para um ambiente inflacionista, motivada pela subida dos preços dos combustíveis fosseis, as principais economias europeias dão sinais de stress, dada a sua dependência energética destas matérias-primas, podendo caminhar para uma recessão técnica.
Alguns atrasos na alocação final das verbas dos projetos no âmbito do PRR, o ainda reduzido impacto dos projetos já aprovados no âmbito do PT 2030 na componente de investimento e o quase desconhecimento do recente programa PTRR, não ajudam a dissipar estas dúvidas sobre o comportamento da economia portuguesa e sobretudo a europeia nos próximos meses.
Assim, a criação e acumulação de riqueza, assume uma particular relevância nas empresas e deve ser o principal desafio para o tecido empresarial (grandes, médias e pequenas empresa), para os empresários e gestores, para dessa forma, garantir a sua sustentabilidade futura.
(1) Em termos simples, podemos definir este indicador com uma boa aproximação à Margem Operacional
