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Prosa de escárnio e maldizer? Nem por isso!

17 de abril de 2026 às 08 h45

O Amigo Zé das Iscas, nado e criado lá para as bandas do abandonado interior do país, “qual país?” apresentou-se na Presidência da República para tomar posse como Conselheiro de Estado.

Vestido a rigor, levou o cajado bem seguro “não vão os casos darem-se”.
Curiosamente, viajou sozinho, deixando o rebanho entregue ao vizinho, ainda que desconfiado, se lhe “daria o golpe e ficasse com a maioria das ovelhas e dos carneiros”. O que vale, para o homem, claro, é que os cães são os mesmos, e não me parece que, fiéis, o deixem apropriar-se daquilo que não é dele. Embora, e não é caso virgem, “um bocado de carne fresca” pode “virar o bico ao prego” e passarem a morder no verdadeiro dono!
É da vida!

Como “quem tem boca vai a Roma” – embora a malta não tivesse conseguido perceber o português de lá, o que aliás é normal, porque os provincianos – aqueles que rumam a Lisboa e nunca visitaram a origem – começaram a acumular alguns trejeitos de boca e alguma dificuldade em falar, talvez tão só, “articular sons, porque explicar, népia!

O tempo passado em Lisboa, porque a capital do Reino, do Império e da República continua a ser Coimbra, com o afã do protagonismo a qualquer preço, tirou-lhes a lucidez.

Não estava calor, mas se o frio apertasse sempre levou a “croça” a cobrir o “corpo inteiro”! O calçado era diferente e, até o fardado que estava à porta – talvez provinciano também – não conseguiu determinar que raio de coisas eram aquelas nos pés, tamancos diria o Zé, que faziam ao caminhar, mesmo assim, menos barulho do que os saltos altos das senhoras a descer as escadarias do poder. Fazem um cagarim que só visto!

Vieram todos – nenhum morto de cansaço! – aquela malta que anda por lá a “pensar”, exercício difícil, convenhamos, para tentar perceber o que é que aquele homenzinho, carcomido pelo trabalho, pelos sacrifícios e horrores da vida, quereria.

Só queria tomar posse como Conselheiro de Estado.
Os idiotas do costume riram a bandeiras despregadas.
Porque quer tomar posse se não foi eleito?

Ah, é preciso ser eleito? Não sabia. O que um amigo letrado lá do sítio de onde eu venho me disse, é que há pessoas competentes, os da justiça, mas outros, disse também, valha-nos Deus.

A muito custo, e muito seguro de si, lá desceu à terra o comandante em chefe da malta. Cumprimentou com ar afável, simpático, como tivesse sido educado num convento, abracinho da ordem, perguntou:
Mas já agora, diga-me lá vossemecê, o que é que sabe disto para querer pertencer ao Conselho de Estado?

Eu, não sei nada!

Ah, assim já percebi, pode entrar. Tem as qualificações necessárias!

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