Reconhecer, agir, vencer: a luta contra o AVC começa em cada um de nós
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) permanece, há vários anos, como a principal causa de morte em Portugal! E o AVC não impacta apenas a mortalidade; muitos sobreviventes ficam com défices neurológicos significativos, incluindo limitações na mobilidade, incapacidade de comunicar e compromissos cognitivos, que têm um marcado impacto na qualidade de vida e na autonomia.
Importa, contudo, afirmar que o AVC não é uma fatalidade: é prevenível e tratável! E está na mão de todos nós: profissionais de saúde, cidadãos e doentes.
Nos últimos anos, têm-se verificado progressos importantes, nomeadamente através da melhoria dos cuidados hospitalares e do aumento da sensibilização da população. Na Região Centro, a implementação e consolidação da Via Verde do AVC, coordenada entre o INEM, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde e a ULS de Coimbra, como unidade de referência, tem permitido uma resposta mais rápida e eficaz, contribuindo para melhores resultados clínicos. A Região Centro tem sido líder nacional no acesso a tratamentos avançados de reperfusão e no seu sistema organizativo; no entanto, o peso global da doença continua elevado, especialmente devido ao envelhecimento populacional que se verifica nesta região.
A prevenção continua a ser o pilar fundamental na redução da incidência de AVC. Grande parte dos casos está associada a fatores de risco modificáveis, isto é, atitudes e características que estão na mão de cada um ajustar, como a tensão arterial, controlo do açúcar e gorduras, tabagismo, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. A atuação de cada um de nós perante estes fatores de risco, através de estratégias individuais e de saúde pública, é essencial para diminuir o número de novos eventos.
Quando o AVC ocorre, a rapidez de atuação é determinante para o prognóstico. No entanto, a eficácia deste sistema depende criticamente do reconhecimento precoce dos sintomas pela população. Tempo é cérebro! Neste contexto, a Sociedade Portuguesa do AVC lançou a mnemónica dos 3 Fs — Face, Força e Fala — que continua a ser uma ferramenta simples e eficaz para identificar sinais de alerta: assimetria facial (desvio da boca), diminuição de força num membro e alterações na fala. Perante qualquer um destes sinais, deve ser ativado, de imediato, o número de emergência 112. Cada minuto conta: uma resposta rápida pode significar a diferença entre recuperação e incapacidade permanente.
Para assinalar o Dia Nacional do Doente com AVC, a Unidade de AVC da ULS de Coimbra organizou uma caminhada simbólica junto ao Rio Mondego, com o objetivo de estimular estilos de vida saudáveis e reforçar as mensagens principais.
Importa sublinhar não só a importância da prevenção, através de escolhas de vida saudáveis, mas também o papel crucial da comunidade na identificação precoce dos sintomas. Na ULS de Coimbra e em toda a Região Centro, o sucesso da Via Verde do AVC depende de um esforço conjunto entre profissionais de saúde e cidadãos, onde a informação e a ação atempada são determinantes.
