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Opinião: “Lixo, saúde e eleições”

04 de outubro de 2025 às 10 h37

O paradigma que tem associado o empacotamento, a codificação, a obsessão das instituições e das leis reguladoras, por vez de uma avaliação de resultados, trouxe a cada acto médico uma criação de lixo, quer em plásticos e cartão, quer em informática. É também este um caminho com os dias contados. Kenneth White em Le Plateau de L’Álbatroz de 2018 elabora um precioso discurso de como o homem dono da natureza (cartesiano) tem de ser substituído pelo homem integrado na natureza e que portanto reduz a pegada ecológica (mede a superfície necessária para produzir os recursos consumidos pela população, bem como, para absorver os desperdícios que produz.) O novo serviço de saúde, tem de reutilizar, tem de reduzir o lixo – afinal o desperdício, tem de reciclar, abandonando a imposição das exigências dos políticos actuais, em prol de uma indústria gananciosa e de uma economia de favores e de construção de verdades, que a todos nos enganam. Tenho referido muitas vezes Clément Rosset a propósito da política que constrói discursos que nos dão uma visão falsa da realidade, para projectar um desígnio desnecessário, com um fim lucrativo algures.

A realidade não construída pelas ideologias, a verdade sustentada das observações sem filtros, a força impactante dos factos (números, dados medidos, comparações de instituições semelhantes, resultados majorados de mudanças) é uma mochila pesada para os políticos. Atirar umas demagogias e umas impressões para o ar é mais fácil que demonstrar por estudos e por data science. A demagogia está em todos os bravos partidos de direita e esquerda que se degladiam em eleições onde o mais simples, o menos culto, o mais impreparado, tem um voto igual ao mais sabedor e ao mais inteligente.

Esta discussão é muito interessante: devem ter todos um voto igual? Se o Bloco descobrisse que os seus votos maioritariamente são universitários talvez quisessem insuflar esta realidade na escolha eleitoral. Se o CHEGA tivesse maioria de votos nas forças de segurança, dava-lhes o estatuto de antiguidade, que tinham os velhos sócios do Sporting, nas autárquicas. cada um valia dezasseis votos.

Os discursos niveladores, reguladores, construídos de exigências ditas sábias, devem ser sempre submetidos a prova comparativa. Não há ciência sem grupo control.

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