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Opinião: Ensino Superior: 51 anos em números

01 de maio de 2025 às 09 h39

O Ensino Superior em Portugal tem vivido inúmeras mudanças desde 1974, em 51 anos de democracia e liberdade. O acesso ao Ensino Superior estava, até 1974, muito longe de ser democrático: o contexto e as políticas públicas não permitiam que a maioria da população sonhasse sequer em ter uma habilitação Superior, com as distâncias aos grandes centros do saber – à data, Lisboa, Porto e Coimbra – a serem medidas não apenas em km mas sim em horas de viagem, por estradas e transportes lentos, contabilizadas em carros ou cartas de condução inexistentes.

Segundo a Pordata – “Pordata faz retrato do país: 50 anos de Democracia em números”, 2024 – em 1970, a taxa de analfabetos era de 25,7% (hoje são 3%), uma taxa penosa para mulheres – 64% dos analfabetos – por norma, preteridas, mesmo nas famílias de posses, no acesso à educação, educadas para estarem em casa e criarem as suas famílias, estando-lhes mesmo vedado o acesso a diversas profissões.

Porém, o tema não se centrava apenas no analfabetismo: em todos os graus de ensino, exceto no 1.º ciclo (obrigatório até à 3.ª classe), a % da população era mínima. Considerando o total da população com idade para frequentar esses níveis de ensino, apenas 26% frequentava o 2.º ciclo e 5% o Ensino Secundário. Ainda segundo a Pordata, em 1978, 81.584 estudantes frequentavam o Ensino Superior ( 42% mulheres). Em 2023/2024, esse número atingiu os 448.235 ( 54,2% mulheres) (dados da DGEEC), onde destaco os matriculados em Mestrados ( 118.270 ) e Doutoramento ( 25.927, o mais elevado de sempre e com tendência a subir já em 25/26, com os Doutoramentos em Politécnicos) e os que realizaram mobilidades internacionais ( 18.009 ). Em 95/96 apenas 6.139 estudantes estavam inscritos em Mestrado, sendo relevante pensarmos como o país evoluiu e se estruturou para que todas estas ofertas estejam agora disponíveis dentro das nossas fronteiras.

Em 2025, a 30 de abril, muitas escolas já esgotaram as suas vagas nos Mestrados. Há candidaturas que começam em novembro ou dezembro com cartas/vídeos de motivação, de recomendação, demonstração de competência em idiomas e de valências diversas na “corrida” aos mestrados dos rankings internacionais disponíveis em Portugal. Um mestrado é um investimento importante e muito diverso, variando entre 2.500€ e mais de 20.000 €. As Instituições de Ensino Superior especializaram-se a fazer chegar os seus programas pós-graduados ao público, divulgar nos melhores canais, “pescar à linha” os melhores estudantes, atrair estudantes internacionais, bolsas e mecenas que apoiem.

É uma competição feroz e é também um sinal dos tempos: as escolas vão à procura dos estudantes, de financiadores, de diversidade em alternativa a esperarem ser escolhidas ou manterem-se imutáveis. Só as que continuarem a inovar neste caminho serão competitivas.

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