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Opinião – A minha tutela é maior do que a tua

26 de julho de 2024 às 10 h14
Paulo Almeida - Advogado

O Estádio Cidade de Coimbra é uma importantíssima e moderna infra-estrutura do concelho de Coimbra, vocacionada primacialmente para a prática do futebol. A AAC-OAF, que remonta a 3 de Novembro de 1887, data da criação da Associação Académica de Coimbra, é, no futebol, a colectividade com maior currículo e representatividade no concelho. A AAC-OAF, sendo completamente alheia a quaisquer manifestações de natureza político-partidária ou religiosa, deve poder exercer a sua actividade com total independência, autonomia e compromisso de lealdade e solidariedade entre todos os que a compõem.
A AAC-OAF tem como assente dar expressão e desenvolvimento à formação humana, ética, cultural e social dos seus atletas, e, desde sempre assumiu como missão, para além da prática do futebol, a promoção do desenvolvimento desportivo e a formação educativa e sócio-cultural da população da região de Coimbra. A Briosa orienta a sua actividade desportiva, educativa e cultural tendo em vista a promoção do nome da Universidade, da AAC e da Cidade de Coimbra, com estrita observância da formação global e integrada do atleta como Pessoa e Cidadão. A Briosa ostenta um símbolo ímpar nas suas camisolas que passeia pelos estádios e campos de futebol. Um símbolo que todos identificam como sendo de Coimbra e que nele se revêem com orgulho e, muitos dos que já não vivem em Coimbra, saudosamente. Nenhuma outra instituição, ainda para mais com a actual dimensão social do futebol, agrega todas as outras que também representam Coimbra e todos os valores e princípios que as unem.
Devia, por isso, ser calorosamente elevada por todos os que vêem aquele símbolo como um reflexo de si próprio, um valor incalculável que querem que passe de geração em geração, uma herança sem paralelo. As notícias que tenho lido sobre a gestão do Estádio Cidade de Coimbra fazem-me corar de vergonha, desde logo a denúncia unilateral de um acordo iniciado aquando da “construção” do estádio em 2004. Nesse acordo inicial previa-se que outros desportos lá pudessem ser praticados, bem como a Câmara conservava o direito de utilizar o estádio para nele realizar qualquer evento. Em vez de termos um espaço desportivo único para projectar a comunidade, cuja gestão deve ser rentabilizada e por todos dinamizada, anda-se agora, francamente, a medir as tutelas de cada um, como se não houvesse palco suficiente para todos, o que me parece, no mínimo, despropositado.

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