Académica: Desastre nas modalidades coletivas
2022 é annus horribilis para a Académica e, de uma forma geral, para o desporto de competição em Coimbra.
O caso do futebol, com história no panorama nacional, é paradigmático, já que a equipa é última da tabela e – feito tristemente inédito – desce à 3.ª divisão.
Mas o descalabro alarga-se às demais cinco principais modalidades coletivas. Na época que caminha para o fim, só o râguebi e o hóquei em patins parecem escapar à descida.
A competir na divisão maior, o basquetebol não conseguiu o milagre da manutenção, ao contrário do râguebi, que se salvou depois de ganhar ao Benfica, em Lisboa, na última jornada.
Três modalidades disputam a 2.ª Divisão. A melhor prestação é a do hóquei em patins, com a Académica a situar-se a meio da tabela da série sul (no presente, é 8.ª entre 14 equipas).
No andebol, a Académica é última da sua série e a continuidade na 2.ª Divisão está por um fio.
No voleibol, o cenário é quase igual, pois a equipa estudantil segue nos lugares do fundo da tabela da… 3.ª Divisão.
No futsal, a situação é mais grave, pois a Académica não tem equipa… nem sequer de juniores.
Vários fatores contribuem para esta hecatombe.
Em primeiro lugar, o fator clube. Futebol à parte, a Académica usa o emblema da associação estudantil e as infraestruturas da Universidade mas pouco beneficia do potencial que, em tempos passados, foi uma mais-valia da Briosa. Do ponto de vista financeiro e administrativo, depende da Direção-Geral da AAC – um “pormaior” que introduz maior controlo e rigor mas que limita a amplitude e a flexibilidade contabilísticas e fiscais de outros clubes.
Em segundo lugar, o fator cidade. Coimbra não tem exigência competitiva nem militância associativa para levar um clube ao mais alto nível. Coimbra também não tem economia com pujança e, sobretudo, com tradição em investimento robusto e sustentado no desporto. Coimbra não tem instituições que verdadeiramente olhem a prática desportiva de elite como um aliado. Coimbra não tem dimensão, por si e no âmbito da sua região de influência, para alimentar projetos de alta competição, necessariamente dispendiosos.
Em terceiro lugar, o fator desportivo. A alta competição exige profissionalismo total. Exige projetos desportivos estruturados e sustentáveis, com técnicos competentes, que resistam à crítica avulsa e ao melindre nos momentos de sindicância. Exige também dirigentes sérios e conhecedores do meio, que sejam capazes de integrar equipas alargadas e funcionais. Exige, por fim, uma estrutura multidisciplinar de apoio (profissionais de saúde, scouting e análise de jogos e treinos, equipamentos, comunicação, administrativos). E, claro, exige condições físicas diferenciadas para treinos e jogos.
Fácil é criticar e fácil, também, pode ser identificar os pontos negativos. Mais complexo é pôr em prática soluções exequíveis e consequentes. A Académica e Coimbra merecem que se não desista.


