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Xadrez à direita

20 de janeiro de 2026 às 10 h10
1 comentário(s)

A primeira volta das presidenciais revelou uma nova geometria do poder. A direita portuguesa, pela primeira vez com uma expressão eleitoral robusta e musculada, conseguiu o feito paradoxal de ressuscitar o moribundo Partido Socialista.

Ao recusarem apoiar qualquer candidato, PSD e Iniciativa Liberal não ficaram neutros. Escolheram sim, e a sua escolha favorece claramente José António Seguro em detrimento de uma candidatura que, embora menos institucional, se assume vincadamente de direita.

O autoproclamado unificador da direita, André Ventura, tem assim razões para se sentir “rejeitado” e defraudado. A direita decidiu que preferia perder com elegância a ganhar com desconforto, demonstrando que o silêncio estratégico não é neutralidade, sendo antes uma forma envergonhada de apoio ao candidato socialista.

Se André Ventura falhar a eleição, o país não entra numa fase de apaziguamento, mas sim num endurecimento previsivelmente galopante. O Governo enfrentará uma direita cerrada, autofágica, hostil e sem ilusões, enquanto à esquerda surgirá um Partido Socialista artificialmente revigorado por uma vitória que não é sua, mas sim do espaço granjeado pelo até aqui “renegado”.

O erro será interpretar o desfecho entre o “renegado” e o “rejeitado” como sinônimo de estabilidade. Pelo contrário, entraremos numa fase de fricção permanente, com um Presidente fragilizado na origem e um Parlamento mais conflituoso do que nunca.

Sendo o xadrez um jogo de estratégia, tantas vezes de médio longo prazo, poderemos induzir que no cenário de eventual vitória do CHEGA nas próximas legislativas, naturalmente sem maioria, estariam PSD e IL disponíveis para alinhar, quiçá com o próprio Partido Socialista, nova numa espécie de “geringonça moderada à direita”?

O tabuleiro ferve.

Autoria de:

José Alexandre Cunha

1 Comentário

  1. Miguel Coimbra diz:

    Isto não é uma eleição esquerda vs direita.
    Em primeiro lugar as presidencias têm pessoas como candidatos, não partidos. Logo, na maioria dos casos tirar ilações partidárias não faz qualquer sentido. Sampaio teve 54-56%, Cavaco teve 51-53%, Marcelo teve 52-60%, e nunca isso foi referência dos votos nos seus partidos.
    Dizer que PSD e IL não tomarem posição favorece Seguro é uma falácia. Coloca no mesmo patamar um democrata contra um autoritário.
    Se André Ventura ganhar esta eleição, não tenha dúvidas que em Novembro o governo cai e temos um governo de iniciativa parlamentar com Ventura e o Chega. Ventura nunca escondeu que era essa a sua vontade. Isso está no programa do Chega. É isso que os portugueses querem? Um ditador com poder absoluto?

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