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Ver Turismo “Além Tejo”

25 de abril de 2026 às 09 h30

Motivado, numa primeira instância, pelo extraordinário trabalho de promoção turística, gastronómica e patrimonial que é o programa Boa Cama, Boa Mesa, semanalmente  transmitido nos canais e plataformas digitais da cadeia de televisão SIC, visitei há uns dias a vila e alguns encantadores recantos do concelho de Arronches. O Boa Cama, Boa Mesa é um ótimo serviço público de um canal privado, que contribui para que conheçamos melhor o nosso país, para que nos motivemos à viagem cá dentro e, ao mesmo tempo, contribuamos para o desenvolvimento socioeconómico dos territórios visitados, quando estas viagens implicam alojamento, alimentação e/ou outras formas de fruição e… consumo.

 

Não é surpresa, não sendo caso único no nosso país, que na zona raiana do alto Alentejo nos deparemos com sérios problemas de despovoamento, quer pela migração das pessoas para outras regiões, quer pela baixa natalidade e envelhecimento da população, quer, ainda, pela falta de atratividade para novos residentes – todos estes fatores interrelacionados, claro. Predomina o emprego público, ligado à administração autárquica e a diversos serviços desconcentrados, e, muito notório, as atividades sociais, de iniciativa pública, mas também privada, como são as organizações do terceiro setor. A agricultura e pecuária continuam a ser atividades fundamentais para todo o Alentejo, como desde sempre, aliás, sendo igualmente importantes para todo o país. Depara-se este, como outros setores, com falta de mão-de-obra, problema que vai sendo colmatado com a presença de trabalhadores migrantes, eles próprios representando o único movimento de novos residentes, mitigando o grave problema de despovoamento atrás referido.

 

As políticas que permitam a promoção do desenvolvimento destes territórios poderão ser várias, temos assistido a diversas estratégias e planos ao longo dos anos, mas com pouco sucesso. Com certeza por falhas na respetiva implementação, mas, convenhamos, não é nada fácil inverter este caminho. Por isso, só uma estratégia integrada, com a colaboração de todos e de forma consequente, pode ajudar a travar o processo atual. O Turismo aparece, na minha perspetiva, como uma das incontornáveis componentes daquela estratégia, pelo que o respetivo investimento, público e privado, é, ali, uma prioridade. Já está lá tudo o que é essencial para a atratividade de um destino, como a beleza natural, o património histórico, a hospitalidade dos locais e a gastronomia – sendo, a alentejana, uma das mais identitárias no nosso país, por isso, também, das mais apreciadas. Falta uma ainda mais qualificada oferta hoteleira e de alojamento local, para além do que já existe, mas, no caso da hotelaria de topo, até já podemos encontrar das melhores unidades em Portugal. Acresce a oportunidade transfronteiriça, pois tem sido, e espera-se que continue a ser, o mercado espanhol a garantir a sobrevivência de alguns negócios.

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