Luta pela unidade é prioridade da Igreja Católica nos próximos anos – CEP
Novo presidente da CEP admitiu que a Igreja Católica terá como foco manter a unidade | Fotografia: Arquivo-Ana Catarina Ferreira
O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) admitiu hoje que a Igreja Católica terá como foco manter a unidade, perante os riscos de cismas por parte de grupos conservadores e progressistas, opositores ao longo do processo sinodal.
Em entrevista à Lusa após ser eleito presidente da CEP no dia 14, Virgílio Antunes admitiu que é “muito difícil constituir a unidade” numa Igreja em que várias forças internas se opõem, uns exigindo o regresso dos divorciados, o fim do celibato dos padres, a ordenação das mulheres ou casamentos homossexuais, e outros o modelo do pré-Concílio Vaticano II, com missas em latim e uma visão muito restritiva das normas morais da bíblia.
Para tentar fazer face a esta luta interna e no seguimento daquilo que a Igreja Católica alemã já estava a fazer, o Papa Francisco aprovou um processo sinodal para auscultar todas as tendências a partir das bases, cabendo depois aos episcopados de cada país fazer a síntese, até que haja uma decisão do líder supremo do catolicismo sobre o que mudar.
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Nalguns casos, como a ordenação das mulheres ou do celibato dos padres, foram nomeadas comissões para investigar se, no início do cristianismo, havia algumas dessas práticas, já que existem registos de sacerdotes casados e de mulheres indicadas por São Paulo para liderarem comunidades eclesiais.
Contudo, “as comissões depois chegaram a conclusões que não são de todo conclusivas”, admitiu o bispo de Coimbra.
Agora é o tempo das decisões do Papa e “uns ficam mais felizes e outros mais desgostosos, porque não vai ao encontro daquilo que esperavam”.
Para esta clivagem interna contribuem as diferenças no seio da Igreja, com a Europa e a América Latina a pedirem mais tolerância e mudança de normas, até para combater a redução da prática religiosa, uma reivindicação que colide com outros continentes como África ou a Ásia, onde as comunidades e os episcopados que são mais conservadores.
Para Virgílio Antunes, as razões pelas quais muitas igrejas, sobretudo no Ocidente, estão mais vazias não tem a ver com os sacerdotes serem ou não casados, mas com a “secularização das sociedades ocidentais que experimentaram a viver sem sentido de Deus”.
Muitos católicos “viram que é possível viver sem ter um sentido forte da presença de Deus ou sem a dimensão religiosa da vida”, reconheceu o também bispo de Coimbra.
E este risco permanece, avisou, dando o exemplo da Igreja na Alemanha, que tem assistido à saída de fiéis porque está a promover o caminho sinodal ou por esse mesmo caminho “não ter ido mais longe nas conclusões e nas decisões”.
Mas, além deste tema, Virgílio Antunes destacou outras prioridades para o mandato de três anos que agora inicia.
A evangelização, a proteção de menores e adultos em situação vulnerável ou a “denúncia daquilo que também corre mal nas sociedades” são algumas das prioridades, a par de “falar de algumas dimensões ideológicas que tem vindo a perturbar a vida da sociedade, nomeadamente a ideologia de género”, elencou o bispo de Coimbra.
Sobre os imigrantes, Virgílio Antunes salientou que o tema mostra a coesão da Igreja, que defende a integração e acolhimento, mas também a existência de normas legais claras.
A eleição do novo presidente da CEP aconteceu dia 14 em Assembleia Plenária, tendo os bispos portugueses escolhido o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, então vice-presidente da conferência, que irá exercer funções entre 2026 e 2029.
