Igreja espera que modo como lidou com abusos sexuais seja exemplo para a sociedade
Virgílio Antunes destacou a seriedade que a Igreja colocou no processo de identificação dos casos de abusos | Fotografia: Arquivo
O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse hoje esperar que o modo como a Igreja Católica lidou com os abusos seja um exemplo para outras instituições em Portugal.
Em entrevista à Lusa, Virgílio Antunes destacou a seriedade que a Igreja colocou no processo de identificação dos casos de abusos, considerando que foi uma aprendizagem da instituição, com a aprovação de mecanismos internos de controlo, formação, entrega de processos ao Ministério Público e apoio psicológico e compensações financeiras às vítimas, independentemente de ações individuais.
“Tem sido também uma aprendizagem, uma aprendizagem para a Igreja, uma aprendizagem para os bispos, uma aprendizagem para as próprias vítimas, mas para a sociedade”, com “esta forma de abordar a questão de frente”, afirmou o bispo, esperando que esta linha de ação seja “replicada, de facto, em muitas outras instâncias da sociedade, onde este problema existiu no passado e pode vir a existir no futuro”.
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“É impossível resolver no coração de cada pessoa todas as questões, mesmo que os processos sejam muito seguros, muito bem delineados e muito bem conduzidos”, admitiu o também bispo de Coimbra, eleito para liderar a Igreja em Portugal há pouco mais de uma semana.
As vítimas de abuso sexual na Igreja Católica vão receber entre 9 mil e 45 mil euros e já foram aprovados 57 pedidos, faltando definir montantes para nove casos, perfazendo, até ao momento, o valor de 1.609,650 euros.
Agora, a Igreja portuguesa vai avaliar se mantém em funcionamento o Grupo VITA (uma estrutura de apoio psicológico às vítimas e definiu manuais de boas práticas) e as comissões diocesanas, mantendo como objetivo a “erradicação de qualquer forma de abuso” e “o acolhimento do tratamento e das pessoas que foram porventura vítimas”.
“Vamos ter um encontro brevemente para delinear o futuro”, após ouvir as todas as partes, após a conclusão do processo de compensações, que já estão a ser pagas.
Este foi um dos principais dossiês do seu antecessor, José Ornelas, e caberá a Virgílio Antunes encontrar o modo de criar estratégias de prevenção de novos casos.
“O tema das compensações está inserido numa questão muito mais vasta” e “foi uma forma de a Igreja manifestar que acolhe os testemunhos das pessoas que se quiseram manifestar, às vezes com grande sofrimento, depois de muitos anos a tentar calar uma mágoa que existia lá dentro”, explicou.
A compensação definida é um “sinal” que “ajudará algumas pessoas a ter a certeza de que a Igreja não as esqueceu e que inclusivamente está disponível para dar um contributo monetário que as ajudar, em alguns casos a ter uma vida de uma forma diferente”, com “tranquilidade e paz interior diferentes”, acrescentou Virgílio Antunes.
A eleição do novo presidente da CEP aconteceu dia 14 em Assembleia Plenária, tendo os bispos portugueses escolhido o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, então vice-presidente da conferência, que irá exercer funções entre 2026 e 2029.
