Polémica entre Trump e Leão XIV foi “inútil e desnecessária” – CEP
Penso que foi uma nova polémica inútil e desnecessária”, afirmou Lusa Virgílio Antunes | Fotografia: Arquivo-Ana Catarina Ferreira
O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considerou hoje que a polémica entre o Presidente dos EUA e o Papa Leão XIV foi “inútil e desnecessária” para todas as partes.
“Penso que foi uma nova polémica inútil e desnecessária, que não deveria ter existido porque não foi bom, não foi boa para ninguém, nem para os Estados Unidos, nem para a Igreja, nem para a realidade que se está a viver”, afirmou, em entrevista à Lusa Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, recém-eleito presidente da CEP.
Há uma semana, durante uma visita apostólica a África, um discurso de Leão XIV contra a guerra no Médio Oriente e contra as ditaduras motivou fortes críticas de Donald Trump e o próprio vice-presidente dos EUA pediu cuidado ao líder da Igreja quando abordar temas teológicos.
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No entender de Virgílio Antunes, “não devem existir estes confrontos” que têm “um caráter muito pessoal”.
O presidente da CEP lamentou que existam políticos que pretendem “capturar o cristianismo” para o seu lado, “para justificar” perspetivas e ideologias, procurando “capturar a própria voz da Igreja, como se [a Igreja] tivesse que ficar aprisionada”.
Pelo contrário, a “Igreja é para todos e fala às pessoas de todos os partidos e de todas as ideias e ideologias”, pelo que “não pode ser capturada por nenhuma ideologia nem por nenhum partido”, mas também “tem de fazer um esforço para não se intrometer naquilo que são as questões mais” mundanas.
Cabe à Igreja fazer recomendações gerais, com exemplos concretos, explicou, dando o exemplo dos conflitos: “A guerra é uma questão fulcral para a vida da humanidade” e “falar de guerras só de uma forma genérica” acaba por perder efeito.
Por isso, o discurso contra a guerra na viagem a África “fazia todo o sentido”.
“Alguns sentiram-se incomodados, outros gostaram de ouvir”, mas “o Papa felizmente pode estar a falar para todos” porque “parte destas guerras invocam questões culturais e questões religiosas”, acrescentou.
A viagem a África mostrou a força do Papa na cena mundial, naquele que foi o seu primeiro grande momento de exposição pública depois de ter sido eleito.
Leão XIV “expôs-se totalmente, expôs as suas ideias, as suas perspetivas” e procurou “abordar as questões, mesmo as questões mais complexas”.
O seu discurso sobre direitos humanos, pobreza ou democracia mostraram uma “voz absolutamente lúcida e clara” de um “daqueles homens que trazem a energia toda”, comentou Virgílio Antunes.
A eleição do novo presidente da CEP aconteceu dia 14 em Assembleia Plenária, tendo os bispos portugueses escolhido o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, então vice-presidente da conferência, que irá exercer funções entre 2026 e 2029.
