Ventura diz ser inconcebível ministra não conseguir dizer o que falhou
Fotografia: Arquivo
O candidato presidencial André Ventura considerou hoje “um pouco inconcebível” que a ministra da Administração Interna não consiga dizer o que falhou após a passagem da depressão Kristin.
“Acho um pouco inconcebível, francamente, que uma ministra da Administração Interna, perante centenas de milhares de pessoas sem eletricidade, agora, perante centenas de milhares de pessoas que continuam sem conseguir ter rede, ter comunicações, diga que não sabe o que é que falhou. Quer dizer, é evidente o que é que falhou”, vincou André Ventura, que falava numa sessão com apoiantes, num auditório meio cheio do Parque de Exposições de Aveiro.
Considerando que já era tempo de a ministra “começar a perceber”, o candidato disse que o Governo falhou na prevenção que tinha sido prometida depois dos incêndios e do apagão, falhou ao não pôr “as Forças Armadas imediatamente no terreno”, falhou na demora na reposição das necessidades essenciais (como a reposição de energia ou coberturas em telhados afetados) e falhou num “sistema de apoios que é verdadeiramente um insulto a todas as pessoas”.
“Senhora ministra da Administração Interna, se não sabe o que é que falhou, ouça-nos aqui. Perceba o que é que falhou e, sobretudo, faça-nos um favor: Deixe de insultar a nossa inteligência, deixe de gozar com as pessoas e faça aquilo para que é nomeada”, afirmou.
Para André Ventura, Maria Lúcia Amaral “deve garantir que a Administração Interna responde às pessoas”, mostrando que “está ali para agir”.
O candidato presidencial vincou que este era o momento em que queria ver a ministra “com menos conversa e a agir e a resolver problemas”, acusando-a de uma “incompetência atroz”.
“É verdadeiramente constrangedor assistir àquilo que o poder político nos está a fazer em Portugal”, salientou.
Além de criticar a dimensão da ajuda anunciada pelo Governo no domingo, André Ventura chamou ainda a atenção para os pescadores, que ficaram de “fora dos apoios”, perante um fenómeno “que está a fustigar muitas das zonas litorais e a deixar a pesca aparada”.
Na sua intervenção inicial, Ventura abordou também as lonas disponibilizadas para as pessoas afetadas pela intempérie, acusando o seu adversário, António José Seguro, de correr atrás do prejuízo, depois de a sua candidatura ter começado a mobilizar-se para disponibilizar coberturas para telhados, nomeadamente com recurso a lonas de ‘outdoors’ da campanha.
No domingo, Ventura tinha publicado um vídeo nas redes sociais em que aparece junto a rolos de lonas, tendo partilhado outro hoje em que se veem cartazes da candidatura a serem retirados, que a campanha diz que serão entregues para cobrir telhados danificados.
“Nós andamos há três dias a falar nisto. Pedimos às nossas estruturas que fossem aos nossos ‘outdoors’, pedimos a pessoas que trabalham connosco que ajudem a dar lonas para cobrir casas. Acho que este é o melhor que a política pode fazer neste momento”, salientou, saudando o adversário por “perceber o país em que está e começar a ajudar e a fazer alguma coisa”.
André Ventura insistiu na ideia de se usar a visibilidade das presidenciais para se falar do mau tempo, depois de no passado, além das lonas, também se ter filmado a recolher bens que seriam entregues às vítimas.
O candidato já fez duas curtas ações de campanha no concelho de Leiria, sempre acompanhado de comunicação social, ao contrário da opção tomada por Seguro, que nos primeiros dias após a passagem da depressão visitou zonas afetadas sem a presença de jornalistas.
