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Vamos a isso!

29 de janeiro de 2026 às 11 h26
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Em matéria de Educação garantidamente não há ministro que seja detentor do elixir do consenso e que coloque debaixo da sua asa o contentamento de professores, de pais, de autarcas, de alunos, de funcionários. Quando um está contente há 3 a quem a política não agrada e assim vamos caminhando por esta estrada pedregosa.

Marçal Grilo e Oliveira Martins têm defendido a existência de um pacto para a Educação entre os diversos partidos. A ideia parece boa, mas a verdade é que emperra e não faz vencimento. Ambos sabem do que falam, conhecem as dificuldades de quem dirige a Educação, são pessoas de bom senso. Discordo de alguns pressupostos do seu entendimento da matéria, mas reconheço muitas qualidades nos dois.

O Ministro Fernando Alexandre tem tirado da manga algumas soluções e propostas que podem ajudar a ultrapassar problemas, mas não deixa de ser notório que temos um ministro com boa vontade, mas que não conhece em absoluto as escolas, o seu funcionamento e as suas “manhas”.

Vem agora anunciar uma solução para o 2º ciclo do ensino o qual foi claramente um enxerto no sistema. Já nas páginas deste jornal e noutros locais onde transmito a minha opinião chamei a atenção para o que considero uma aberração do nosso quadro educativo. Estamos perante um ciclo de dois anos que acompanhou a decisão do prolongamento da escolaridade obrigatória para seis anos (em 1964), simultaneamente com o aparecimento da telescola. E se na altura se justificou plenamente, verdade seja que nunca houve coragem política para resolver este calcanhar de aquiles, nem mesmo quando a Lei de Bases do Sistema Educativo foi discutida no parlamento e promulgada em outubro de 1986.

Tenho defendido a sua extinção como ciclo autónomo e a junção ao 1º ciclo, criando um ensino básico de seis anos, o que permitiria a definição de um ensino secundário de outros seis anos. Verdade seja que sucessivos governos têm fugido de mexer no sistema educativo por receio de não sei o quê. Sei que a minha opinião não é consensual e pode não fazer vencimento, mas parece chegada a altura em que há vontade de acertar.

Estando ainda em estado embrionário a discussão, espero que se decida e se encontre a solução mais ajustada.
Outra questão. Quando se fala em Escola e no seu papel na sociedade recordamos sempre vários vetores, desde a aquisição de conhecimentos à socialização e valores e a formação para a cidadania. Ora tem sido deprimente ouvir e ver a participação dos responsáveis pelo populismo que não respeitam ninguém, nenhuma regra de convivência entre pessoas civilizadas (e eles sabem o que é isso?), atropelando os interlocutores, confundindo a opinião pública com mentiras que querem fazer passar por verdades.

O debate de há dois dias entre António José Seguro e o seu adversário nesta 2ª volta eleitoral trouxe ao de cima esta falha da Escola que tem postergado para um segundo plano a discussão dos valores democráticos que devem enformar as nossas sociedades.

Cada vez mais a Escola necessita de ser uma oficina de aprendizagem de respeito, de defesa de valores democráticos, de crença numa sociedade fraterna. O que se está a verificar é o contrário de tudo isso.- a má educação, o desrespeito, o esmagamento das opiniões dos outros. Até que ponto a nossa Escola está a falhar a sua missão? É urgente que os professores reflitam sobre este estado de coisas e não receiem assumir as responsabilidades que lhes cabem na formação integral das crianças e jovens para viverem numa sociedade democrática. E fraterna.

O debate trouxe sem surpresa um candidato moderado, tranquilo, com ideias para o cargo de primeiro magistrado da nação (mesmo que nem sempre concordemos com ele), com propostas. Do outro lado da mesa um homem nervoso, sem nenhuma ideia que se visse ou percebesse, confundindo este ato eleitoral do dia 8 de fevereiro com o de candidato a legislativas pelo seu atual partido.

Pela minha parte votarei em quem nos garante um mandato digno e seguro, respeitador dos valores constitucionais. Faço-o pelos meus netos e por todos os netos dos outros que precisam de um mundo melhor e de um país que assuma as leis e a decência.

Autoria de:

Linhares de Castro

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