“Suspensão parcial do PDM foi a decisão mais pensada e mais estruturante”
A autarquia tem, neste momento, cerca de 300 edifícios identificados como devolutos e degradados e 57 processos em curso para a realização de obras, contabiliza Ana Abrunhosa |Fotografia: DB - Pedro Filipe Ramos
Em vésperas da celebração do Dia da Cidade, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, analisa as principais medidas tomadas pelo seu executivo municipal nestes primeiros oito meses do seu mandato. Destaca o aumento de 42% nos processos de licenciamento de casas, o trabalho para acabar com prédios devolutos e degradados na cidade e explica a suspensão parcial do PDM como estratégia para desbloquear projetos de investimentos significativos na cidade, cujas empreitadas em breve começarão a surgir
Cumprem-se amanhã oito meses desde que assumiu, a 4 de novembro de 2025, a governação da Câmara de Coimbra. Que balanço faz deste período, que ficou marcado por situações extremas, como as tempestades e as cheias?
Foram oito meses bastante intensos. Quando chegámos tivemos de preparar muito rapidamente o orçamento municipal, o que implicou um trabalho muito exigente com os serviços. Pouco depois enfrentámos as situações de calamidade, as várias tempestades, que perturbaram o nosso trabalho e o normal funcionamento da autarquia. E essas dificuldades não se limitaram ao momento, prolongaram-se nos meses seguintes. Apesar disso, o que quero sublinhar é que a nossa estratégia se manteve e até ganhou mais consistência, ou seja, todas as nossas propostas, que definimos no manifesto eleitoral e no nosso programa, mantêm-se e estão a ser cumpridas. Obviamente que, passado quase um ano, há coisas novas que vão surgindo.
Costuma realçar que logo que o seu Executivo tomou posse avançaram com medidas concretas?
Sim, passámos rapidamente da estratégia à execução, para cumprir algumas das nossas promessas eleitorais. Ou seja, dada a experiência de muitos de nós, começámos a executar desde o primeiro dia, foi muito fácil inteirar-nos dos dossiês, não precisámos de um, dois anos. Como tínhamos prometido, logo no início atribuímos uma verba à APPACDM para a aquisição de uma carrinha, essencial para o transporte diário dos seus utentes. E logo em novembro, na Baixa, ruiu um edifício que já tinha sido classificado como devoluto por nós, por este Executivo. Depois acabámos por tomar posse administrativa desse imóvel.
Esta situação dos prédios devolutos e degrados foi das primeiras que analisaram?
Sim, em pouco tempo começámos a tomar decisões, mesmo que, muitas das vezes, essas decisões incomodem algumas pessoas, como foi o caso de rapidamente termos constituído uma equipa para analisarmos os edifícios devolutos ou degradados, fazermos as vistorias e notificarmos os proprietários – e essas notificações têm que ser cumpridas, por lei – para fazerem obras de conservação e segurança. Caso não as façam, temos que notificar o Ministério Público e depois podemos ou tomar posse administrativa ou expropriar, opções que não nos interessam muito, porque exigem recursos e meios da autarquia, mas podemos também fazer venda forçada em hasta pública, após avaliação.
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