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Ronaldo

12 de julho de 2024 às 11 h13
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Paulo Almeida: Ronaldo

No dia 12 de Julho de 1998, a França sagrou-se campeã mundial de futebol, ao bater o Brasil na final. Ronaldo, o Fenómeno, sofreu convulsões antes desse jogo, e temia-se pela sua vida. Nunca se soube o que as terá provocado. Conspirou-se envenenamento francês e o rumor de pressões exercidas pela Nike, nunca provado, levou-o a ter de responder numa Comissão Parlamentar de Inquérito do congresso brasileiro. O certo é que ele “deu” tudo o que tinha em campo (do que naquele momento era capaz) durante os 90 minutos.
Os jogadores da nossa selecção de futebol, todos eles, também deram tudo o que tinham. Sou de opinião que eles são os menos culpados pela eliminação. À parte futebol, de entre eles, e sem sombra de dúvida, há um que dá muito mais: o nosso Ronaldo. A sua presença na selecção e em campo permite à FPF ter maiores receitas em patrocínios, direitos de transmissão televisiva, bilhetes vendidos (em qualquer parte do mundo onde CR7 jogue) e merchandising CR7 “inesgotável”. A FPF, enquanto instituição pública, deveria revelar publicamente os números. O impacto CR7 seria perceptível, desde logo, pela quantidade de camisolas vendidas. As amostras conhecidas são avassaladoras. As suas transferências entre clubes foram quase sempre “amortizadas” em vendas de camisolas. Para se ter uma ideia, quase metade das vendidas pelo Real Madrid ostentam o nome de Cristiano Ronaldo; a Juventus, 24 horas depois de ter desembolsado 105 milhões de euros, e ainda sem ter oficializado a contratação, já tinha arrecadado 54 milhões em camisolas do CR7; na sua última transferência, para o Al-Nassr da Arábia Saudita, CR7 “vendeu” 230 milhões de euros em camisolas em pouco mais de um mês.
CR7 também já deu (e continua a dar) aos portugueses uma lista infindável de alegrias futebolísticas que nos orgulham. Mas fora futebol, CR7 dá a Portugal uma importância turística ímpar: a campanha do Turismo de Portugal “Close to US”, lançada em Times Square, com CR7, foi um momento visto por quase 20% da população mundial! A sua imagem também será usada para promover Portugal na China com o slogan “Portugal tem o melhor do mundo”. Ele tem impacto significativo na nossa economia, desde logo no turismo de que tanto dependemos. Para além do mais, a empresa da qual ele é o único sócio paga impostos em Portugal, pois tem a sua sede em Lisboa.
Que mais se pode pedir a CR7? Ele consegue tudo isto fruto do seu próprio trabalho. Porque é único e excepcional! E não é por ser a pessoa, no mundo inteiro, que tem mais seguidores no Instagram (630 milhões – uma “população” só superada pela Índia e China) e cujas publicações rondam os 3 milhões de euros cada, que deixou de publicar uma dúzia delas com a bandeira de Portugal, a selecção, os colegas, as nossas quinas. Para todo o mundo ver! Foi óbvio o seu orgulho em ser português quando falhou aquele penalty, porque sentiu-se o quanto lhe doeu. De ferida aberta, percebeu-se a sua grandeza quando assumiu ser o primeiro a bater na série de penalties, findo o prolongamento.
É em momentos como este que se torna óbvio que CR7 é diferente. Mas infelizmente, perante a grandeza dos seus feitos, há sempre quem espreite uma oportunidade para o “deitar abaixo”, por mesquinhez, frustração ou só para se sentir mais parecido com ele. À mínima falha, esquece-se o passado e nem se pensa no futuro. Claro que CR7 envelhece, mas fá-lo com excepcionalidade e comportamentos de admirar. Está num Olimpo como poucos. Eu só tenho agradecimentos para lhe dar.

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