Que solução propõe para a barra?
O recomeço das dragagens no Porto da Figueira da Foz é uma boa notícia. A reposição do calado de 6,5 metros permite retomar a operação portuária, mas não resolve o problema de fundo.
Dragagens pontuais, dependentes de janelas meteorológicas favoráveis, são uma resposta de emergência, não são uma solução. O assoreamento recorrente exige uma abordagem estruturada com monitorização batimétrica contínua e sistemática que permita ajustar as intervenções preventivas e não reativas.
Ao modelo implementado de coordenação institucional deve retirar-se a sobreposição de competências entre a administração portuária, a APA e a tutela, que dispersa responsabilidades, atrasa decisões e não racionaliza resultados. Por outro lado, deve incluir-se uma liderança técnica com autoridade sobre as instituições intervenientes, que preste contas de forma regular, pública e transparente.
Para preparar o médio/longo prazo, urge um estudo independente do sistema hidrodinâmico costeiro, que explique o recorrente assoreamento e projete uma intervenção estruturante credível — prolongamento de molhes, esporões submersos ou sistemas de bypass de sedimentos.
A manutenção da Barra deve ser contratualizada, com financiamento estável e responsabilização direta das entidades envolvidas.
O problema da Barra não se resolve escavando mais fundo, é preciso compreender o sistema costeiro e geri-lo com o apoio da ciência e das gentes do mar, planeando de forma sistemática e coordenada.

