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Coimbra

Petição quer regresso de jardim onde estão edifícios do Politécnico de Coimbra

25 de novembro de 2024 às 18 h34
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DB/Foto de Ana Catarina Ferreira

Uma petição pública defende o regresso de um jardim e parque infantil onde hoje estão instalados dois edifícios do Politécnico de Coimbra, esta instituição diz que tem intenção de sair daquele espaço, mas precisa de solução alternativa.

Uma petição pública dirigida à Câmara de Coimbra, que conta já com mais de 600 assinaturas, defende o desmantelamento dos edifícios do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), presentes no Bairro da Cumeada, e o regresso do jardim e parque infantil, tal como na génese do projeto daquele bairro, construído para realojar as pessoas da Alta de Coimbra, nos anos 1950.

A petição e a defesa dos moradores foi dada hoje a conhecer ao executivo municipal, durante a reunião da Câmara de Coimbra, no período de intervenção do público, por Miguel Pessoa Vaz, que dinamiza a petição e representa os moradores.

Durante a sua intervenção, Miguel Pessoa Vaz deu nota de que os pavilhões estão com um grande nível de degradação e que estão incluídos na lista de edifícios com cobertura de fibrocimento, referindo que fez uma exposição da situação em setembro de 2023, junto da Câmara de Coimbra, Freguesia de Santo António dos Olivais (que deu parecer positivo às reclamações dos moradores) e Politécnico de Coimbra.

O morador defendeu uma colaboração entre entidades para que aquele espaço “volte a ser um jardim e com um parque infantil para as crianças, que na zona não existe”.

Na resposta, o presidente da Câmara, José Manuel Silva, dirigindo-se ao morador, referiu que também assina a petição, caso queira “mais uma assinatura”.

No entanto, o autarca explicou que os pavilhões pertencem ao Politécnico de Coimbra e que a Câmara não tem qualquer jurisdição sobre o espaço, considerando que os moradores “devem continuar a defender aquilo que era o destino inicial daquele espaço”.

Também a vereadora com o pelouro do urbanismo, Ana Bastos, explicou que não há risco de ruína iminente, referindo que a autarquia está “de mãos e pés atados”.

Questionado pela agência Lusa no passado, o presidente do IPC, Jorge Conde, referiu que não há “justificação técnica” para intervir na cobertura de fibrocimento, recordando que essas intervenções só são necessárias, caso haja “fissuras na placa”.

Já sobre o futuro a dar àqueles pavilhões, Jorge Conde vinca que teve sempre o objetivo de “desativar aquele espaço” e transferir todas aquelas valências para o campus na Solum, tendo como possibilidade a construção numa área da ESEC, “que é uma espécie de campo de futsal que não é usado há mais de 20 anos e permitiria uma expansão” do edificado.

No entanto, “até agora, não surgiu nenhum modelo de financiamento” que permitisse apoiar tal construção, referiu, sublinhando que o IPC estará, posteriormente, disponível para “vender os terrenos” no Bairro da Cumeada, assim que o polo esteja desativado.

De momento, um dos pavilhões é usado pelo curso de teatro, já o outro edifício tem cerca de 20 salas de aulas utilizadas por várias licenciaturas da ESEC.

Face à ausência de financiamento para uma solução mais duradoura, o IPC vai avançar já no arranque de 2025 com um projeto de reabilitação dos edifícios, que terá um custo de cerca de 100 mil euros, com pintura e mudança de caixilharia, naquilo que é “uma solução provisória”.

“O objetivo último será desativar aquele espaço”, vincou Jorge Conde.

Autoria de:

Agência Lusa

1 Comentário

  1. Francisco Pessoa Vaz diz:

    O presidente do IPC não vai à raiz do problema nem enquadra devidamente uma solução racional, a saber:
    1- o espaço ocupado pelos inestéticos barracões era o lugar de lazer de todo o Bairro da Cumeada e foi com esse requisito que os moradores / compradores das habitações decidiram vir viver;
    2- como é possivel ” alguém ” transacionar um BEM PÚBLICO- quem não souber o significado que aprofunde o conceito- mesmo que seja uma entidade oficial, embora no Estado Novo houvesse muito despotismo;
    3- quanto ao comentário sobre o fibrocimento / amianto- de que não é perigoso porque não tem fissuras- parece uma brincadeira de mau gosto ! ; então a lei não obrigou que os estabelecimentos de ensino substituissem as coberturas ?!; ou será que o presidente do IPC andou empoleirado nos telhados dos barracões, com mais de 50 anos, de lupa em punho, para verificar se havia fissuras !
    4- a solução que indica para melhorar as condições de habitabilidade dos degradados pavilhões é inacreditável; gastar 100.000 euros do nosso dinheirinho, em pinturas e janelas, quando já decidiu ir para outro local e as espeluncas são para demolir !? e, uma vez mais omite o amianto;
    5- ou, então, vende os pardieiros, ou o terreno ! como se pode transacionar aquilo que foi, abusivamente, retirado aos moradores para as crianças brincarem?; agora jogam à bola nas ruas do Bairro,…, e param para os carros passarem, na maior perigosidade !

    Das mil uma entidades de tutela e fiscalização haverá alguma que lidere este assunto e ” imponha ” uma solução equilibrada, como é de justiça ?

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