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Opnião – Suicídios

06 de dezembro de 2025 às 13 h41
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Um mundo é, não raro, uma terra devastada, um lugar de desolação. Num mundo desolado acontecem algumas desistências, algumas quedas, algumas rendições, algumas fugas, alguns suicídios.
Foram a desesperança no presente e a certeza da noite sem fim do futuro anunciado que tornaram a Walter Benjamin e a Stefan Zweig impossível suportar o que olhos de Heiner Müller viam.
Não acreditaram no fim da tormenta. Na realidade de uma bonança que veio longos breves anos depois.
A Paul Celan e a Primo Levi de nada valeram o conhecimento e o uso da receita de Jorge Semprún. A poesia e a escrita, afinal, nem sempre nos salvam do mal.
Também para Simone Weil o real se tornou lugar inabitável. Num mundo-fábrica não se consegue respirar. Pelo que, suavemente, se deixou deslizar para o bálsamo de uma transcendência desejada,
Em Arthur Koestler a fuga para o infinito resultou da soma zero da utopia. Do sufocado pasmo de o futuro radioso apresentar o Gulag e os Killing Fields como marca de água e cartão de visita.
A vida, na confluência de circunstâncias desesperadas, pode ser carga que não se consegue mais levar.
Cesare Pavese e Sylvia Plath descobriram ser impossível respirar sem o oxigénio vital do amor. Ao ofício de viver preferiram a construção da barca de D.H. Lawrence.
Para todos, como Hannah Arendt um dia sublinhou, havia coisas bem piores que a morte.

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