PR de Cabo Verde defende que crioulidade é proposta de futuro da humanidade
Fotografia: Pedro Filipe Ramos
O Presidente da República de Cabo Verde defendeu hoje, em Coimbra, que a crioulidade representa a resposta da humanidade aos desafios contemporâneos, assente na relação e na diversidade, considerando Cabo Verde um laboratório histórico excecional.
“A crioulidade não é apenas o legado de um passado partilhado. É uma proposta para o futuro. Ensina-nos que a unidade não exige a uniformidade, que a diversidade não é uma ameaça, que a relação constitui a maior riqueza da humanidade”, disse José Maria Neves.
O Presidente de Cabo Verde foi hoje distinguido com a Medalha da Universidade de Coimbra (UC), atribuída pela primeira vez nos mandatos do reitor Amílcar Falcão, após a conferência “A Crioulidade e o Futuro da Humanidade” que proferiu no âmbito da 44.ª edição das Conversas da Casa da Lusofonia.
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Na ocasião, indicou que a crioulidade “representa a capacidade da humanidade de transformar uma história dolorosa num espaço de encontro, de criação e de coexistência”, não sendo “simplesmente o resultado de uma miscigenação biológica ou cultural”.
“A crioulidade não é, portanto, uma mera categoria cultural. É uma filosofia da relação. É uma pedagogia da coexistência. É uma ética da diversidade. É a prova viva de que é possível construir uma comunidade humana sem rasurar as diferenças que a compõem”, afirmou.
José Maria Neves considerou Cabo Verde como “um laboratório histórico excecional” da crioulidade que, muito antes de a globalização se tornar um conceito, “já experimentava a coexistência de línguas, de memórias, de tradições e de imaginários”.
Na conferência, abordou ainda a questão das reparações, que, considerou, “não pode ser reduzida a uma mera compensação material”.
“É, antes de mais, reconhecimento. É restauração da dignidade. É restabelecimento da verdade histórica. É, fundamentalmente, reconstrução do laço humano”, referiu.
Para se tornar instrumento de paz duradoura, a reparação “deve ser um processo de transformação moral, política e cultural, fundamentado na verdade, no reconhecimento mútuo e na construção de um futuro comum”, afirmou.
José Maria Neves recorreu ao Campeonato do Mundo de Futebol como metáfora do que deveria ser a ordem internacional: “uma humanidade capaz de rivalizar sem se destruir, de se afirmar sem excluir e de celebrar as suas singularidades na partilha de um destino comum”.
Para o Presidente de Cabo Verde receber a Medalha da UC constituiu “uma imensa honra e um momento de profunda emoção”, que representa também um reconhecimento ao percurso de Cabo Verde.
“A qualidade da democracia cabo-verdiana não é neutra na escolha que recaiu em mim. Como não o são o desempenho de Cabo Verde na arena internacional, a credibilidade da nossa governança, a prosperidade que construímos, o crescimento inclusivo e ambientalmente sustentável que teimamos em perseguir”, sustentou.
Já o reitor da UC assinalou que a Medalha da UC “é uma das mais elevadas distinções” da instituição, e que esta atribuição foi aprovada, por unanimidade, pelo Senado da Universidade.
“Fê-lo reconhecendo não apenas o extraordinário percurso político e institucional de José Maria Neves, mas também o contributo decisivo que tem dado para a afirmação de Cabo Verde como uma referência internacional de democracia, estabilidade institucional, boa governação e respeito pelo Estado de Direito”, apontou Amílcar Falcão.
O reitor enfatizou ainda a percurso de José Maria Neves, como primeiro-ministro e, hoje, como Presidente da República, e sublinhou a seu vínculo a Coimbra, onde iniciou o seu percurso universitário.
“Ao distinguir Vossa Excelência, homenageamos igualmente os valores que representa: a democracia, a paz, a cooperação entre os povos, o desenvolvimento sustentável, a educação e o humanismo”, indicou.

