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Opinião: Turismo religioso: viagens por caminhos de fé e cultura

30 de maio de 2025 às 13 h26
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A recente morte do Papa Francisco, figura de grande destaque mundial como líder da Igreja Católica e Chefe de Estado do Vaticano, gerou comoção não apenas entre os fiéis, mas também entre aqueles que, mesmo não professando a fé católica, o admiravam pelo seu exemplo de humanidade e tolerância. O subsequente Conclave na Capela Sistina, que reuniu 135 cardeais de todo o mundo e resultou na eleição de Robert Francis Prevost como Papa Leão XIV — o “Papa Americano” — reforçou a visibilidade global do fenómeno religioso. Tudo isto ocorreu num momento particularmente simbólico para o mundo católico: poucos dias após a Páscoa e a poucas semanas de mais uma peregrinação, no caso do nosso país, ao Santuário de Fátima, em 13 de maio.
No contexto dos temas do Turismo, o fenómeno religioso tem nos nossos dias uma importante expressividade pela deslocação global e massiva de pessoas. O turismo religioso, tradicionalmente associado à fé, espiritualidade e busca de experiências transcendentais, evoluiu nas últimas décadas para englobar também o interesse cultural, histórico e arquitetónico de locais sagrados. Igrejas, templos, mosteiros e festividades religiosas, estas, muitas vezes, já com elementos populares ou até pagãos, atraem tanto crentes devotos quanto curiosos culturais, familiares e amigos que acompanham os peregrinos.
Este tipo de turismo pode manifestar-se de diversas formas: peregrinações clássicas, visitas a santuários, participação em festividades, retiros espirituais ou viagens motivadas pelo desejo de conhecer práticas de outras religiões. Para além de um (re)encontro com o sagrado, pode tratar-se também de uma imersão em tradições milenares e estilos de vida distintos, numa fusão entre fé e cultura que tem impacto social, económico e patrimonial nos territórios, nos destinos. Assim, além de fortalecer laços espirituais e satisfazer curiosidades culturais, o turismo religioso impulsiona economias locais, promove a preservação do património e estimula o diálogo inter-religioso — uma causa fortemente defendida pelo Papa Francisco. No entanto, também é alvo de críticas, especialmente quando o lado comercial se sobrepõe ao espiritual, distorcendo a essência da experiência religiosa. Como em outros segmentos, os efeitos negativos do turismo de massas também se podem fazer sentir aqui.
Entre os principais destinos mundiais, destacam-se o Vaticano, coração do catolicismo, Meca, epicentro do islamismo, e Varanasi, cidade sagrada do hinduísmo nas margens do Ganges. Na China e outros destinos asiáticos há ainda inúmeros santuários budistas, taoistas e confucionistas de grande atratividade. Voltando ao universo católico, o culto Mariano mantém forte expressão em Fátima, Lourdes (França) e Guadalupe (México). Já Santiago de Compostela, em Espanha, com o emblemático Caminho de Santiago, continua a atrair peregrinos do mundo inteiro — muitos dos quais não motivados, essencialmente, pela fé, mas sim pela busca de introspeção, superação pessoal e vivências culturais, num percurso que se tornou, também, símbolo dos tempos digitais e “instagramáveis”. Caminhos de fé e cultura para todas as religiões e todos os gostos.

Autoria de:

José Luís Marques

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